<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406</id><updated>2012-02-12T12:00:00.246Z</updated><title type='text'>Espírito das Escadas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>79</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2193205527811354477</id><published>2012-02-12T12:00:00.000Z</published><updated>2012-02-12T12:00:00.297Z</updated><title type='text'>A nossa praia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Havia uma praia abandonada naquele sítio e naquela altura. Às vezes, diziam, até a água se ausentava e enrolava noutras areias, colorindo de espuma outras rochas. Mas nessa praia, orfã de gente, estavamos nós a dar-lhe calor e pés que a marcavam e lá ficavam até ao eventual regresso da maré. Os nossos pés, dizia-te eu, contavam a história de estarmos juntos porque as pegadas misturavam-se e liquefaziam a areia como naqueles diagramas com solas, setas e números que ensinam a dançar Tango e Cha Cha Cha.&lt;br /&gt;Cumprimos a promessa de dançar à hora das primeiras luzes da manhã. Se houvessem galos eles cantariam, tenho a certeza, mas à falta deles surgiram umas tantas gaivotas e periquitos-de-colar que antes do sol já coloriam os ares. Àquela hora, também nós fomos o primeiro sol, dançando próximos como duas estrelas que no encontro orbitam e que numa chuva amena se beijam ao som de nenhuma música.&lt;br /&gt;Na realidade não estávamos na praia, não havia gaivotas nem periquitos-de-colar. Estávamos num passeio de uma rua qualquer a ouvir a rouca música dos poucos carros que passavam mas, ainda assim, o dia nasceu à hora da nossa dança e os lábios só se separaram para dizer, apontando&lt;br /&gt;-Look, there's the sun&lt;br /&gt;sem tirar os olhos dos teus.&lt;br /&gt;É que o sol tem a graça de não nascer só nos montes e naquela estrada sem areia nem mar ele atirou umas duzias de raios que inventaram um par de pássaros dos quais não sei o nome. O par de pássaros, que se note e não obstante a liberdade, não somos nós. São mesmo pássaros, asas, bico e música. Despiste-me de poesia porque agora anda por aqui uma ausência tua que nunca me abandona.&lt;br /&gt;Após a dança não sonhei com mar e praia. Após a dança atingiu-me que como eu e tu, as estrelas, não havia mais ninguém no nosso planeta porque, áquela hora, só ali o sol nascia dançando e os sonhos, esses, são mais saborosos de olhos abertos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2193205527811354477?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2193205527811354477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/02/nossa-praia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2193205527811354477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2193205527811354477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/02/nossa-praia.html' title='A nossa praia'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5046827851584652595</id><published>2012-02-05T12:00:00.003Z</published><updated>2012-02-05T12:00:03.408Z</updated><title type='text'>Pigmento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dizem por vezes relativamente a Cesário Verde que este foi o primeiro escritor-pintor de Portugal pela forma como inseria ricos mundos pictóricos nos seus poemas. Várias vezes senti as mesmas dores que ele, ignorado pelas intrépidas moças para as quais, à altura, eu não estava à altura.&lt;br /&gt;Mas até Cesário, cálculo, teria dificuldade em encontrar na sua paleta palavras para descrever certas cores e foi disso que me lembrei quando me disseste nessa tua língua complicada de entender que os teus olhos tinham uma cor&lt;br /&gt;-Indefinível&lt;br /&gt;com essa mesma palavra, usada inocentemente e de forma espontânea, tentaste-me pintar uma aguarela que respondesse à minha pergunta &lt;br /&gt;-Afinal de que cor são os teus olhos&lt;br /&gt;dita naquela língua que é tua e da qual só sei uma quantidade limitada de frases.&lt;br /&gt;De facto indefiníveis eles eram e assim ficaram sem que eu me preocupasse muito com isso porque o melhor que nos acontece fica nesse intermédio das coisas mágicas que acontecem sem explicação, imagem ou palavra. Entre nós houve e haverá daquela poesia que não se guarda numa folha, o teu cheiro não cabe em nenhum frasco, o sabor do teu beijo não existe em nenhum condimento de nenhum mercado bairrista de nenhuma cidade do Mundo.&lt;br /&gt;Dizem que aguarela é uma das técnicas de pintura mais difíceis de dominar. Tenho então tempo para aprender a pintar com a água tingida até que um dia vou descobrir que cores tenho de misturar para chegar ao tom dos teus olhos e aí parto à aventura de descobrir novos tesouros teus sobre os quais me debruçar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5046827851584652595?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5046827851584652595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/02/pigmento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5046827851584652595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5046827851584652595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/02/pigmento.html' title='Pigmento'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5369704938479007451</id><published>2012-01-14T12:00:00.001Z</published><updated>2012-01-14T12:00:00.347Z</updated><title type='text'>Caminhos do Desejo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Disseram-me um dia que no Japão os jardins não têm caminhos.&lt;br /&gt;Têm relvados, arbustos, canteiros, fontes e tudo o que é de esperar num jardim europeu mas caminhos nada. Só após a inauguração do jardim é que começam a surgir os primeiros sinais de formas eficazes de atravessar o dito jardim. Lentamente surgem traços como uma teia ou um jogo de correspondências como os que fazíamos na escola primária. A essas uniões que unem pontos opostos que, por alguma razão, interessaram a várias pessoas o suficiente para desbravarem relvado virgem dá-se o nome de caminhos do desejo.&lt;br /&gt;Caminhos do desejo porque foram as pessoas, através do seu desejo de unir dois locais distintos que trilharam a rota. Dizem-me que após essa fase de experimentação o jardim volta a fechar para se proceder à pavimentação dos tais caminhos.&lt;br /&gt;Quando me disseram isso fiquei a pensar se connosco também não seria assim. Dois grupos juntam-se e depressa se desbravam os caminhos necessários a juntar o A com o 2 ou o B com o 4 como nas fichas da escola. Depois o C e o 1 apaixonam-se e formam uma avenida principal como temos no Palácio de Cristal a Avenida das Tílias. &lt;br /&gt;O jardim que todas estas pessoas são fecha-se ocasionalmente para repavimentar a amizade e o amor com estradas em que a brita é substituída pela ternura. Não há nada que compacte o carinho como a ausência e o subsequente reencontro.&lt;br /&gt;Nestes caminhos do desejo que nos unem não vejo obstáculos nem saudades inconciliáveis, para todas aquelas vezes que a relva mal cortada parece proibir os abraços calquemos com mais força para amarelecer de vergonha o tempo e as ocupações que nos afastam. E sempre que um buraco te torça os tornozelos e te faça uma mancha esverdeada nos joelhos eu estarei lá para te fazer rir da parvoíce de caíres depois de te levantar e te dar um beijo que, se não estavas, te pôs logo boa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5369704938479007451?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5369704938479007451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/01/caminhos-do-desejo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5369704938479007451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5369704938479007451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/01/caminhos-do-desejo.html' title='Caminhos do Desejo'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2967773032286396368</id><published>2012-01-08T12:00:00.003Z</published><updated>2012-01-08T12:00:07.554Z</updated><title type='text'>Sorte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No mundo todo há quatro tipos como eu. A sério. Procurem na internet quem são os quatro jogadores de poker mais bem sucedidos e vai estar lá o meu nome. De todos eu sou o que tenho mais sorte mas não sou o melhor. Eles leem mentes através de comportamentos reflexos dos outros jogadores e calculam probabilidades de determinada carta sair em determinada altura. A mim simplesmente saem as cartas certas na altura certa.&lt;br /&gt;Os alcoólicos procuram no final de cada copo uma família, o amor perdido, o dinheiro necessário para endireitar o negócio da família. Como no final do copo há nada, só secura e abandono, reforça-se a dose à espera que no final do próximo apareça por magia o final da dor.&lt;br /&gt;Estou ainda para conhecer um bêbedo que beba porque gosta de beber.&lt;br /&gt;O mesmo acontece com o jogo. A um não viciado pode parecer que nos estamos a divertir. Não estamos. Estamos à espera que as coisas comecem a correr mal. Estamos à espera de perder vinte milhões de dólares numa só mão e reencontrar nesse final da sorte ao jogo o início da sorte no resto. A tal família, o tal amor, em alguns a saúde. Dinheiro, felizmente, é preocupação que já não temos.&lt;br /&gt;Quando a minha mãe se apercebeu que eu transportava o gene do pai dela, que nem conheci, benzeu-se três vezes. Contou-me que os homens da família tinham todos essa boa fortuna de fazer fortuna sem esforço. Ela estava convencida que até príncipes tínhamos na nossa genealogia mas eu ignorei até chegar ao secundário e ganhar sempre à sueca.&lt;br /&gt;Nas noites familiares ao Dominó.&lt;br /&gt;Na faculdade apostas desportivas.&lt;br /&gt;Qualquer coisa que envolva aleatoriedade eu transformo em dinheiro.&lt;br /&gt;Pelos vistos o gene não se transmite a mulheres. Elas ao invés têm sorte ao amor, razão pela qual a minha mãe casou cedo, foi feliz e teve filhos cedo mas foi sempre pobre. O meu pai, das melhores pessoas que este planeta já aqueceu, morreu cedo traído pelo seu próprio gene defeituoso herdado sabe-se lá de onde.&lt;br /&gt;Às vezes calham-me umas tantas mãos seguidas em que perco e penso que acabou, ganhei dinheiro que baste para três vidas de cem anos, chegou a hora de partilhar a minha pérola, que nasceu aqui um dia mas que eu por estar só, tão só, não sei a quem deixar.&lt;br /&gt;Ocorre-me que a sorte me tenha abandonado naquelas ocasiões seguidas em que as mãos não prestam e as cartas não são favoráveis. Mas lá ela volta, pacientemente esteve à espera que eu acreditasse na sua partida para depois me surpreender e dizer de novo um olá que me sabe azedo.&lt;br /&gt;Aceito o que ela me dá, até me deixar vai ser sempre assim, não sei como lhe fugir. Ela sorri e eu vou a jogo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2967773032286396368?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2967773032286396368/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/01/sorte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2967773032286396368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2967773032286396368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/01/sorte.html' title='Sorte'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-7535890099455410316</id><published>2012-01-01T12:00:00.002Z</published><updated>2012-01-01T20:22:58.472Z</updated><title type='text'>Bissexto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No fundo das escadas havia o quadro eléctrico, eu lembro-me. &lt;br /&gt;A electricidade estática fazia o teu cabelo elevar-se no ar e eu, preocupado com o teu penteado, passei a dominá-lo com as mãos juntas, todos os dias. Na sombra da janela da porta, quando saíamos à noite, devia parecer aos vizinhos que eu te estava a esganar.&lt;br /&gt;Penso nisto enquanto mexo num par de fios desligados da serie de luzes que usamos na árvore de Natal deste ano. Uma amostra de árvore para uma amostra de apartamento onde vivemos eu, tu e dois vasos com um girassol cada um. Vive também uma cama feita e um sofá para três numa sala onde todos convivemos com o tapete, com as cortinas e com uma televisão pousada numa estante adaptada que também vive cá.&lt;br /&gt;Adoptamos há uns tempos um gato e uns livros. Do gato nunca mais soubemos e os livros foram morrendo das feridas que as unhas do gato deixaram na sua lombada, desfigurados como leprosos. Perderam os títulos e os autores com excepção do livro de poesia que te ofereci no ano em que nos conhecemos.&lt;br /&gt;Era um ano bissexto e passar esse ano contigo foi como aquela hora que se dorme mais quando a hora muda sem pensar na ocasião em que a hora recua. Ganhamos um dia ao nosso tempo e ao aproveitá-lo nunca mais recuamos. &lt;br /&gt;Hoje, podemos simplesmente ir ver como cai a chuva a cem quilómetros daqui, podemos ir verificar se a estátua daquela terra onde fazem a feira de enchidos está limpa ou dar a nossa opinião sobre o relvado daquele mosteiro do século XVII que há perto da casa do teu bisavô. Hoje aperto-te o cabelo como fazia antes de arranjarem o quadro eléctrico e beijo-te, como se te estivesse a asfixiar com as mãos e os lábios.&lt;br /&gt;Os vizinhos devem achar que somos bizarros. Espero que sim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-7535890099455410316?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/7535890099455410316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/01/bissexto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7535890099455410316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7535890099455410316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2012/01/bissexto.html' title='Bissexto'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-1541601108566193596</id><published>2011-12-18T12:00:00.004Z</published><updated>2011-12-18T12:00:04.896Z</updated><title type='text'>À Patricia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olhar para ti era como olhar por uma janela. Havia muito do movimento do ar em brisa e muito do aroma da manhã. Aquele misto de optimismo e resignação em que decidimos se vamos ou ficamos. Se a cama nos prende ou nos solta.&lt;br /&gt;Todos os dias me perguntavas com o só-teu sorriso&lt;br /&gt;-O que deseja&lt;br /&gt;e eu, após a tua partida, dizia a quem me acompanhava&lt;br /&gt;-Esta miúda é simpática&lt;br /&gt;sem receber qualquer resposta porque na realidade nem parecias assim tanto.&lt;br /&gt;Mas como estava a dizer, tinhas a rara característica nas pessoas que é tão típica das janelas que é dar-nos brisa perfumada. Tinhas também algo de porta porque parecia que após a nossa despedida o dia corria melhor, como acontece sempre com as portas que temos gosto em abrir. A porta de casa. Do carro. Do quarto de alguém íntimo. Todas aquelas portas que sabemos ser o derradeiro obstáculo antes de algo que nos vai fazer bem. Numa palavra: Luz. As portas trazem luz.&lt;br /&gt;Assim sendo, nota bem, transportavas o vento limonado em brisa enquanto cá andavas e davas-me um melhor dia à despedida. Eras uma janela e uma porta em mim. Era como se de repente a minha vida tivesse uma nova varanda. &lt;br /&gt;Faltou-me sempre a coragem de te dizer que podias deixar de me tratar por você e que o ar que encaracolavas à tua volta ficava suspenso a troçar comigo mesmo à minha frente como se fosse um daqueles cabelos finíssimos que param mesmo à frente dos nossos olhos e não conseguimos agarrar nem que disso dependa a nossa liberdade.&lt;br /&gt;Agora já não trabalhas lá e as tuas colegas transportam o ar como as redes transportam peixe. &lt;br /&gt;Perguntam-me&lt;br /&gt;-O que vai ser&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;-Que posso trazer&lt;br /&gt;e não trazem nada com elas. Nem uma pequena luz que se abrigasse numa colher prateada.&lt;br /&gt;Pelo bem que trouxeste, pelo ar rico em oxigénio e limão, pela luz matricial à despedida desejo-te uma casa inteira. Feliz e cheia de aromas, como parecias tu antes de me deixares aqui, sozinho, a fumar na varanda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-1541601108566193596?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/1541601108566193596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/12/patricia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1541601108566193596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1541601108566193596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/12/patricia.html' title='À Patricia'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8549767971655389001</id><published>2011-12-11T12:00:00.002Z</published><updated>2011-12-11T17:04:06.177Z</updated><title type='text'>Não consigo evitar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Passou pouco tempo desde que não me apetecia escrever sobre ti, fotografar-te, andar a cheirar pescoços e beijar lábios de desconhecidas para tentar perceber antes de te beijar a ti como é que beijas e gostas de beijar. Ando pela rua a procurar pessoas do teu tamanho e peso, com lábios assim finos como os teus, de dentes alinhados com precisão como os teus a ver se sou perfeito através do treino quando finalmente chegar o tempo de pelo beijo selar o final destas saudades.&lt;br /&gt;No fundo, não consigo evitar gostar de ti e não vou conseguir evitar dizer-to cedo demais tal como te hei-de beijar sem aviso de forma bastante atabalhoada, dente com dente, sem conseguir evitar que te surpreendas e durante um ou mais segundos fiques suspensa sem agir embora, aí dentro de ti, já saibas o que fazer. Já não há paixões instantâneas fora dos filmes há muitos anos e por esta altura já preparaste um plano de contingência para o que se vai passar se por acaso não me for possível evitar manter o carinho somente nas palavras e nos olhares e desejar, até necessitar, verter ternura pelos dedos na tua pele e pelos lábios na tua boca.&lt;br /&gt;É que não consigo evitar querer entrar por essas comportas adentro e insuflar-te de água e oxigénio e sangue fresco, daquele que parece que faz picar as extremidades como o ar frio da manhã faz picar os olhos forçando uma lágrima repleta de alvorada a cair.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8549767971655389001?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8549767971655389001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/12/nao-consigo-evitar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8549767971655389001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8549767971655389001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/12/nao-consigo-evitar.html' title='Não consigo evitar'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8874918056229997328</id><published>2011-11-13T12:00:00.003Z</published><updated>2011-11-13T12:00:07.856Z</updated><title type='text'>Apontar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aponto, sem que digas que é feio, as coisas que me fazem amar-te desde aquele encontro atabalhoado em que a meio troquei o teu nome por um que nem sequer era o de ninguém que eu conheço mas que te deixou desconfiada. O rádio tocava todas aquelas músicas fora de propósito e até o carro teve de fazer uma das suas, que eu já sabia existirem à data da compra, deixando-nos apeados no meio da estrada mais molhada da cidade que me era mais desconhecida.&lt;br /&gt;Tentando fazer o possível com a situação que se desenrolava tu começaste a falar comigo enquanto olhava atónito para o interior do capot do carro, à espera que alguma peça assobiasse ou sangrasse como nos filmes. Um fuminho pelo menos que me dissesse o que se passava.&lt;br /&gt;Eu tinha de te levar a casa embora não te quisesse levar a casa. Conhecia-te há umas horinhas mas já queria mais, ou melhor, ainda queria mais. Farto-me tanto das pessoas, das mulheres da minha era, que às vezes julgo não vir a dar netos à família e fica tudo dependente do ventre da minha irmã. O resto da vida romarias a casa dela e todos os olhos a fitarem o incapaz, eu, que nunca foi suficiente para encantar alguém.&lt;br /&gt;Em ti nenhuma impaciência, sugeres caminharmos e chegar a qualquer lado, pedir ajuda. Ou simplesmente caminharmos e sorrirmos porque estamos juntos pela primeira vez e tudo o que havia para correr mal já tinha acontecido e agora só podia melhorar.&lt;br /&gt;Lá. Eu, tu, umas caricias de chuva e duas mão enlaçadas. Nunca antes amei alguém sem os lábios se tocarem.&lt;br /&gt;Aqui. Eu, tu e meia torrada com pouca manteiga a não encontrar o que me fez, faz e fará amar-te. Não tenho nada a apontar.&lt;br /&gt;Aponto esse facto e sigo em frente. Para coisas feias já chegam os meus dedos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8874918056229997328?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8874918056229997328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/11/apontar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8874918056229997328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8874918056229997328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/11/apontar.html' title='Apontar'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-7249346462532585387</id><published>2011-10-23T12:00:00.002+01:00</published><updated>2011-10-23T12:00:03.893+01:00</updated><title type='text'>Taxa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vou blindar os meus sentimentos por ti. Pô-los no cofre de um banco, o mais seguro da terra para ninguém os roubar. Desse depósito vou colher os juros, daqui a dois ou três anos, sem remover antecipadamente os valores aplicados para não perder quaisquer benefício.&lt;br /&gt;Vai-me fazer bem.&lt;br /&gt;Vou colocar a gravidade do amor noutro local, noutras mãos, fecha-lo atrás de uma combinação e uma porta corta-fogo e esperar que ele cresça ainda mais.&lt;br /&gt;Quando os juros vencerem, juro eu que te ofereço o meu coração. Faço uma transferência interbancária, pago custos processuais e taxas. &lt;br /&gt;É que neste momento eu, austero como poucas vezes me vi, não basto e preciso de tempo para recapitalizar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-7249346462532585387?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/7249346462532585387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/10/taxa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7249346462532585387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7249346462532585387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/10/taxa.html' title='Taxa'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8530486621875924754</id><published>2011-09-18T12:00:00.003+01:00</published><updated>2011-09-18T12:00:08.439+01:00</updated><title type='text'>Tecido vivo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai sempre haver arrependimento e mágoa pelos volumes ausentes que deixaste cá. Em cima da cama, nas estantes, no meu coração e até no cinzeiro desactivado onde deixaste as chaves. Por aí toda tu e parte de mim, derramados e tristes como aqueles postes que iluminam ruas de prédios devolutos onde só moram velhos que vão para a cama às nove da noite com os respectivos falecidos.&lt;br /&gt;Li que o Kurt Vonnegut certa vez deu um espirro tão forte que lhe saiu pelo nariz um pedaço de tecido vivo com veias e tudo. Isso inspirou-o a escrever um livro. Não tenho costume vigiar os lenços usados à procura de restos do meu corpo saídos pelos olhos e pelo nariz quando, por vezes, no início daquela música, a meio daquele filme ou no final, sempre no final, do riso hienico de uma gaivota eu choro sem parar. Às tantas já cuspi um pulmão inteiro e parte do estômago. Às tantas o sangue circula em mim mecanicamente sem nenhum coração para o espremer.&lt;br /&gt;Às tantas cuspi-te a ti toda, não fetal já adulta, saída do meu olho direito, naquele lenço de papel de cozinha que estava ali mesmo à mão quando há um ano te fiz a mesa e o jantar e as velas acesas e nem apareceste.&lt;br /&gt;Uma vez disse-te que tinhas a sombra mais clara de todas, os mais leves ombros e a respiração mais doce. Hoje falei de ti e tudo em mim escureceu, pesou e azedou.&lt;br /&gt;A culpa foi minha, sempre, a culpa foi sempre minha amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8530486621875924754?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8530486621875924754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/09/tecido-vivo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8530486621875924754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8530486621875924754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/09/tecido-vivo.html' title='Tecido vivo'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5447516781488413614</id><published>2011-09-11T12:46:00.000+01:00</published><updated>2011-09-11T12:46:00.177+01:00</updated><title type='text'>Onze</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na minha casa não entravam muitos livros. Eu não achava que me fizessem falta mas, nas raras ocasiões em que recebia um livro, eram pequenos mundos que se abriam. As letras e as imagens, de preferência muitas das segundas e poucas das primeiras para não maçar.Nos idos de 98 recebi um livro perfeito. Aquele que veio na altura que eu mais precisava e que juntava um lado prático a uma perspectiva teórica infalível. Um livro de cromos!&lt;br /&gt;Mais especificamente o livro de cromos do Gil, mascote da Expo 98, que numa quantidade interessante de autocolantes nos levava numa volta pela arquitectura do mundo. Claro que o Taj Mahal me fascinou tal como é evidente que a Ópera de Sidney me confundiu. Na altura ainda pouco sabia de arquitectura e de gravidade e talvez por isso os dois edifícios que mais me fascinaram cabiam num só cromo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eram dois simples pedregulhos estriados que se elevavam acima de todos os outros numa cidade pródiga em pedregulhos gigantes ornados. Naquela caderneta destinada a abrir curiosidades e vontade de viajar os meus olhos caiam sempre no mapa mais à esquerda, no quadradinho onde os dois pedregulhos se irmanavam em verticalidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nova Iorque. Cromo 36. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passaram alguns anos. Os suficientes para fazer uma mão cheia de amigos e aprender que viagens, aos quinze anos, só aquelas que combinávamos para os meses de férias e que incluíam sumos na praia. Naquele dia a Sara, que era tão inteligente como irresponsável, ia fazer o último exame de recurso de Métodos Quantitativos e depois ia comigo beber um sumo ou comer um hamburguer ao shopping onde parávamos naqueles dias que antecediam o reinício das aulas. Nessa altura a minha independência parecia-me a mesma de um adulto. Combinava coisas, carregava o meu próprio telemóvel com o meu próprio dinheiro e almoçava em casa sozinho, enquanto cumpria o ritual familiar de ver o noticiário às refeições. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nova Iorque. Cromo 36. Fumo, chamas. Confusão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não sabia que os pedregulhos podiam arder. Ao mesmo tempo. Não sabia que existiam pactos fratricidas suicidas. Não sabia que era tão perigoso viajar de avião. Ainda assim acreditava que na terra dos filmes os fogos apagavam-se como nos filmes independentemente da altura dos castelos. Haveria sempre aqueles inocentes caídos para chorar mas eu ainda podia ir visitar os dois pedregulhos e bem lá do alto cumprir o sonho que vivia daquele autocolante. Sim, já tinha 15 anos mas ainda sabia pouco de gravidade e arquitectura. Resistência tênsil e térmica eram conceitos que nem eu nem o jornalista dominávamos e portanto quando o primeiro pedregulho caiu torcendo as estrias, aos flocos em vez de tombar inteiro como um ponteiro dos segundos desgovernado, ficamos ambos surpreendidos. Pouco tempo depois o irmão gémeo caiu como que fulminado por uma doença hereditária degenerativa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais mortos do que eu posso numa só vida chorar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho tudo em VHS, gravado em directo. Se não pude ver os pedregulhos em vida vejo-os na sua morte como um familiar afastado de quem se tem cartas e videos que o transportam a este tempo que já não viu, para ser lembrado por este familiar com quem não conviveu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na altura avisei a Sara que não podia ir ter com ela. Que tivesse boa sorte no exame. Quando chegasse a casa ia perceber porque desmarquei. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nova Iorque. Cromo 36 de uma caderneta que já não tenho. Os sonhos substituem-se e a arquitectura também, pois há dias em que, como homens, crescemos dez anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5447516781488413614?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5447516781488413614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/09/onze.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5447516781488413614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5447516781488413614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/09/onze.html' title='Onze'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4204538479667680209</id><published>2011-08-28T12:00:00.003+01:00</published><updated>2011-08-28T12:00:08.595+01:00</updated><title type='text'>Suficiente mais</title><content type='html'>&lt;div align="jutify"&gt;Não gosto de ti o suficiente para escrever sobre ti. Demorou a perceber isto. Demorou qualquer coisa como três dias, interrompidos por algum trabalho e chamadas da família, a perceber que aquela página de meu bloquinho Moleskine (sou antiquado e vaidoso, duas coisas que não queres ver juntas) não iria ter nada de palavras ou desenhos. Poesia nem vê-la.&lt;br /&gt;Estamos a uma vida inteira de distância e o tempo que é tão relativo anda a passar paralelamente por nós. Só que pronto, de cada vez que eu paro num apeadeiro tu já estás na estação seguinte e partes antes que eu, como se fosse um turista mais distraído e cheio de malas, chegue a tempo.&lt;br /&gt;Mas é como te digo, não me fazes tremer o suficiente para me dares vontade de te falar sequer à tarde, quando em lanches tantos nos cruzamos nas esplanadas que têm sempre mais uma mesa, mais duas cadeiras e mais dois copos que podiam ser nossos se tivéssemos consideração suficiente um pelo outro para, como as pessoas normais, nos sentarmos a conversar sem óculos de sol. Com sorrisos lubrificados por refrescos e pausas admiradas.&lt;br /&gt;Mas vá, comigo pensar alto dá sempre nisto da escrita, não tenho espírito para falar sozinho tal como não tenho espírito para falar contigo. E não, não gosto de ti o suficiente para escrever sobre ti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4204538479667680209?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4204538479667680209/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/08/suficiente-mais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4204538479667680209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4204538479667680209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/08/suficiente-mais.html' title='Suficiente mais'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-9107612681224949713</id><published>2011-07-24T12:00:00.002+01:00</published><updated>2011-07-24T12:00:02.997+01:00</updated><title type='text'>Atlantis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A gravidade da solidão faz com que todos à nossa volta se aproximem. Esta gravidade, a física, a que rege e gere a atracção entre dois corpos é tanto maior quanto é a força da pessoa que, sozinha, "malabariza" as suas pessoas como de planetas se tratassem, naquelas órbitas excêntricas que tanto podem afastar como aproximar em tangentes que por vezes colidem e nos arrancam pedaços afastando-nos a nós da órbita que mantemos a alguém que por sua vez é mais forte que nós e tem o tal campo gravitacional mais intenso.&lt;br /&gt;Alguém uma vez disse que somos feitos da mesma matéria das estrelas e não podia estar mais certo. Todos temos um sol. Um centro de vida. Um emissor de calor.&lt;br /&gt;Por vezes, demasiadas, algumas dessas nossas estrelas morrem e cria-se um buraco negro que nos suga parte da energia mas que não nos consegue comprimir porque não nos consegue engolir. Pode até levar alguns dos nossos planetas órbitantes consigo mas a nós não.&lt;br /&gt;Por isso meu amor eu posso explorar alguns planetas. Enviar uma lata com gente pequenita lá dentro para tirar umas amostras e regressar. Analisar amostras e decidir cancelar o programa espacial por falta de relevância de recursos do tal planeta onde espetaram uma bandeira do meu país.&lt;br /&gt;Mas sol, meu querido sol, quando a luz baixa e a saudade aperta, quando parece que as constelações nos vão engolir vivos na escuridão, retorno a ti, para que a luz flutuante regresse e em auroras boreais me ilumine de novo como num big bang.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-9107612681224949713?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/9107612681224949713/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/07/atlantis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/9107612681224949713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/9107612681224949713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/07/atlantis.html' title='Atlantis'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-1740947574113228941</id><published>2011-07-17T12:00:00.000+01:00</published><updated>2011-07-17T12:00:01.208+01:00</updated><title type='text'>Não é sobre ti</title><content type='html'>Podia ter escrito aqui um texto que te levantasse ao espaço de todas as outras. Que te trouxesse a tantos amores que descrevo e perco por aí e aqui. Mas deixo-te estar aí onde estás e às outras, invejosas, deixo-as na ignorância de não se poderem comparar a ti. Não saberem quem és.&lt;br /&gt;Ao perguntarem&lt;br /&gt;- Tens alguém especial na tua vida&lt;br /&gt;eu a poder responder&lt;br /&gt;- Não&lt;br /&gt;sabendo que minto tanto que devia ter vergonha e não conhecer nunca mais ninguém.&lt;br /&gt;Acho que esgotei os meus momentos. Todas as pessoas têm uma conta aberta de momentos que lhes vão acontecer. Uns tantos morrem sem os gastar todos. Azar. Mas eu estou convencido que em trinta anos os esgotei todos e agora a minha vida vai ser sem eventos como dizem os ingleses. &lt;br /&gt;É que estar sem ti faz o tempo passar na mesma. Não comer e não conduzir e não fazer praia deixa igualmente que o tempo passe. Mas não me lembrar do sabor das bolachas que fazias aos sábados de tarde ou não me lembrar do tamanho dos sapatos que compraste em Braga leva-me o dia todo. Lá fora escurece mas as horas ficam na mesma. Especialmente naqueles relógios que me ofereceste.&lt;br /&gt;Eu não ia falar de ti mas falar de ti deixa que o tempo se esprema para fora de mim e já há algum tempo que de mim pouco sai sem que seja espremido. Têm de vir cá puxar e torcer para que eu dê alguma coisa.&lt;br /&gt;Lembra-te de mim com ternura e generosidade porque nem de uma nem de outra as outras têm grandes sinais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-1740947574113228941?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/1740947574113228941/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/07/nao-e-sobre-ti.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1740947574113228941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1740947574113228941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/07/nao-e-sobre-ti.html' title='Não é sobre ti'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-7954846922240589193</id><published>2011-06-12T12:00:00.001+01:00</published><updated>2011-06-12T12:00:10.587+01:00</updated><title type='text'>Rh sempre positivo</title><content type='html'>Quando vais levas sempre uma parte de mim. Não sei se é um coração ou um pulmão, o estômago ou o fígado. Sei sim que há por aqui umas saudades a sangrar. Eu a escorrer todo eu por todo o lado. Quero sorrir e os lábios não se abrem, quero dormir e os lençois ensopados de sangue não me deixam descansar.&lt;br /&gt;Poderá um dia ser o nosso último e nós calmamente a ver os olhos a perder de vista. Poderá.&lt;br /&gt;Mas não será hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-7954846922240589193?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/7954846922240589193/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/06/rh-sempre-positivo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7954846922240589193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7954846922240589193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/06/rh-sempre-positivo.html' title='Rh sempre positivo'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-7829785264011509756</id><published>2011-06-05T12:00:00.002+01:00</published><updated>2011-06-05T12:00:04.019+01:00</updated><title type='text'>Quantos ciclones queres?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ando cansado do Verão. Ando cansado da ausência de vento e da consequente ausência do movimento dos teus caracois. Tens aquele tipo de cabelo grosso e pesado, áspero. Vai muito bem com casacos e cachecois e ventos glaciares. No Verão cai e seca, fica ali inútil e quando se lhe toca parece olear-se e alhear-se.&lt;br /&gt;Estou cansado da falta de dinamismo dos teus movimentos. Parece que toda a tua cabeça tem gravidade a mais como quando choras e as tuas lágrimas fazem o mesmo barulho que a chuva no chão. O teu cabelo é puxado para a terra como se fosse o polo positivo de uma matéria magnética que necessita do seu oposto e no entanto, de tão simultaneamente negativos, os nossos braços repelem-se. &lt;br /&gt;Nunca aprendi a medir a tensão e a corrente. Nunca entendi como usando um fio de terra se melhorava a segurança dos sistemas eléctricos. Sou um tipo dos audiovisuais digitais. Se pudesse apontava-te uma daquelas ventoinhas do cinema e fazia com que os teus cabelos se excentrificassem como a saia da Marylin criando para sempre uma imagem icónica de ti.&lt;br /&gt;Entretanto ainda agora começou Junho e, meu amor, podia vir um tornado para que daquela confluência de ar frio e ar quente surgissem energias antagónicas que nos unissem num abraço relampejante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-7829785264011509756?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/7829785264011509756/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/06/quantos-ciclones-queres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7829785264011509756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7829785264011509756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/06/quantos-ciclones-queres.html' title='Quantos ciclones queres?'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-6269522987251574520</id><published>2011-05-01T12:00:00.004+01:00</published><updated>2011-05-01T12:00:09.164+01:00</updated><title type='text'>E é amá-la assim professora</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tive uma professora que me proibiu de começar textos com "e". E agora, mais ou menos adulto, independente, acostumado redactor de cartas para amores, vivo condicionado como se tivesse uma fobia causada pela correcção dessa senhora que certa vez, já reformada, me reconheceu&lt;br /&gt;-Olha o menino dos mas&lt;br /&gt;coitada.&lt;br /&gt;Já senil confundiu-me, eu que tanto tentava ser copulativo, pelo amador do adversativo da segunda fila.&lt;br /&gt;Eramos leves e nessa altura era mais fácil abrir corações e entrar. Tinhamos a carne mais tenra e quando íamos passear de comboio não estavamos fechados em túneis. Agora até de Metro somos obrigados a tolerar aquele tracejado descontínuo das luzes fluorescentes dos túneis. Não tenho medo dos "e" porque todos os dias sonho em dizer eu e tu substituindo os eu e tu com os nossos nomes.&lt;br /&gt;Gostava de ainda poder arreliar essa minha professora (que nem de português era) mostrando-lhe que com uma carta começada com um orgulhoso "e" consegui convidar a Teresinha da primeira fila e que em todas as cartas fugi dos "mas" pois não me pareceu necessário erguer logo assim de início uma barreira no raciocínio.&lt;br /&gt;Agora já nem lhe chamo Teresinha, professora, veja lá. A beijos tantos ela foi Tété, amor, querida, Teresinha e agora Teresa.&lt;br /&gt;Ainda bem que morreu sabe? Não viveu tempo suficiente para ver estes meus abusos nem para descobrir que os Homens da sua amada ciência iam descobrir forma de encobrir os comboios.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-6269522987251574520?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/6269522987251574520/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/05/e-e-ama-la-assim-professora.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6269522987251574520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6269522987251574520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/05/e-e-ama-la-assim-professora.html' title='E é amá-la assim professora'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8558747974676503530</id><published>2011-04-10T12:00:00.002+01:00</published><updated>2011-04-10T12:00:03.648+01:00</updated><title type='text'>Post-it</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não me importa muito o bem que me fazes quando cá estás e os sorrisos que me causas quando me beijas. Muito menos me importa o saber que estás lá pelo fim da tarde, quando começo a cozinhar, e tu chegas e mudas a música que me ajudava a saltear os legumes.&lt;br /&gt;Ao que estou atento é à falta que fazes quando não andas por lado nenhum. A luz que parece que viaja contigo como se fosses com o sol na mala para aqueles países onde é dia o dia inteiro. O mal que me fazes ao não me beijares e o facto de estar cheio das minhas músicas e deixar queimar a porcaria das lasagnas congeladas que como quando não estás cá para me guiar. &lt;br /&gt;A próxima vez que fores tens de deixar cá roupa usada no chão e uma lista de cds para tocar. Vamos ter de alugar um carro igual ao teu e estacioná-lo no teu lugar de garagem.&lt;br /&gt;A próxima vez que fores embora faz com que eu não seja o último a saber. Dá-me um aviso de um dia. Faço-te um lanchinho para o caminho e largo um post-it todo decorado com uma dedicatória, um poema e o meu perfume teu preferido vaporizado para cima.&lt;br /&gt;Consigo meter todo o nosso amor num post-it e num pão com manteiga.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8558747974676503530?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8558747974676503530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/04/post-it.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8558747974676503530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8558747974676503530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/04/post-it.html' title='Post-it'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2363789197269252862</id><published>2011-02-27T12:00:00.003Z</published><updated>2011-02-27T12:00:10.531Z</updated><title type='text'>Um penedo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se eu te der um pedregulho constrois, por favor, um castelo em cima dele? Terás a facilidade em perceber, através desse teu feitio de raínha, que sem uma base sólida o teu castelo depressa volta à sua condição de areia desagregada?&lt;br /&gt;Repara, eu sou só um pedreiro, ocasionalmente trabalho em ferro mas sou essencialmente pedreiro. Tive até, admito, de procurar pedregulho no dicionário para perceber se não estava a incorrer em erro. Também procurei incorrer no dicionário.&lt;br /&gt;Queria só concordar com o teu brilho e apontar uma coisa qualquer ao céu, pôr-te lá em cima e todas as noites dizer-te que a solução de isolamento térmico era excelente e que podias dormir só com um lençol. &lt;br /&gt;Vá, diz-me, se eu te der um pedregulho montas todo o teu castelo em cima de mim? Alertas-me das fugas e das datas em que teremos que renovar a tua pintura, os teus caixilhos? &lt;br /&gt;Em troca peço só que me deixes espreitar para o que se esconde por detrás das tuas ameias, que desguarneças as seteiras e que rendas os guardas definitivamente. Vem daí. O tempo é curto e com fundações sólidas eu te deixo manter as inúteis muralhas.&lt;br /&gt;Se eu for o teu pedregulho prometes forrar-me desse musgo vivo que se arrasta nos teus olhos?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2363789197269252862?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2363789197269252862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/02/um-penedo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2363789197269252862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2363789197269252862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/02/um-penedo.html' title='Um penedo'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8696289239651481715</id><published>2011-01-30T12:00:00.001Z</published><updated>2011-01-30T12:00:08.242Z</updated><title type='text'>Falas curtas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dizem-me que nos dias em que andas por aí eu não me deixo iluminar pelo sol e que só os passos gelatinosos que me levam até ti soltam luz, só intervalando quando, em surdina, te eclipso uma piscadela de olho. Nesses dias mais longos eu mando-os calar. Tenho muito mais em que pensar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8696289239651481715?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8696289239651481715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/01/falas-curtas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8696289239651481715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8696289239651481715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2011/01/falas-curtas.html' title='Falas curtas'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-6722436994371240985</id><published>2010-12-19T12:00:00.003Z</published><updated>2010-12-19T12:00:01.154Z</updated><title type='text'>Só tu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É extremamente difícil seguir a minha vida a ouvir a tua voz a dizer palavras. Imaginar como seriam certas expressões ditas na tua doçura. Não ter à despedida a despedida com o meu nome a acentuar o carinho.&lt;br /&gt;É morrer cinco vezes ao dia ter agora de nunca mais dizer olá aos teus caracois pela manhã, deixar sós os teus olhos amendoados e partir dessa cama (onde nunca me deitei), da mesa (que nunca vi) sem pequeno almoço e do cabide da porta (onde os meus casacos pesados nunca repousaram) sem a missiva que evidentemente deixaria onde te diria&lt;br /&gt;-Só tu..&lt;br /&gt;se alguma vez tivesse oportunidade de te deixar para aí cartas assim.&lt;br /&gt;Ando preocupado comigo mas não espero que te preocupes tu porque, em boa verdade, poucas vezes fora das necessárias trocas fortuítas de importâncias deves ter pensado em mim. Pouco sós devem estar neste momentos os teus olhos, talvez fechados ainda por umas palpebras que alguém beijou antes de adormeceres. Ou então estás acordada a ver a pessoa que te preenche a cama, a tomar o vosso pequeno almoço e lá ao fundo, no cabide, os casacos e bonés dele.&lt;br /&gt;Um dia disseste-me&lt;br /&gt;-Só tu.&lt;br /&gt;e eu fiquei feliz por achares que naquele momento e daquela forma só eu. &lt;br /&gt;Agora eu, só, me deixo aqui sem medo de ti nem dos teus cabelos, nu se pudesse à frente dos teus olhos tão grandes e tão redondos e tão amendoados. A passar ou parado. Podia até ser num daqueles momentos em que te apanho a olhar para mim.&lt;br /&gt;Um dia poderia ser que te apanhasse esse olhar e to obrigasse a fixar em mim com uma careta ou um carinho. Poderia fechar-te as pálpebras com um beijo e dizer-te &lt;br /&gt;-Só tu...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-6722436994371240985?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/6722436994371240985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/12/so-tu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6722436994371240985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6722436994371240985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/12/so-tu.html' title='Só tu'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4018288856939340692</id><published>2010-11-14T12:00:00.002Z</published><updated>2010-11-14T12:00:02.586Z</updated><title type='text'>X</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma vez disse-te que se inspirar fundo fizesse tão bem como diziam, os humanos teriam evoluído para só inspirarem fundo. Cada um dos nossos milhares de movimentos respiratórios diários seriam longas inspirações. Tu, não habituada a teres de te explicar na minha língua dizias que não sabias falar comigo.&lt;br /&gt;E não sabias mesmo. Dei-te emprego em 2005 por seres a reveladora de fotografias mais talentosa que tinha visto. As tuas fotografias não eram nada de especial mas a claridade, a focagem, os jogos de luzes na tua pós-produção eram uma arte em si própria. Que fosses imigrante ilegal era um pormenor que estava disposto a ignorar.&lt;br /&gt;Depois havia o teu cabelo. Nas poucas conversas fluídas que tivemos contaste-me que na tua terra havia muitas loiras altas portanto o teu cabelo negro e a tua estatura mediana eram vistos como exóticos. Portugal era um bom país, havia muitas mulheres como tu.&lt;br /&gt;Mas a questão é que não havia. Tal como ninguém - nem mesmo eu - conseguia com que uma fotografia ganhasse aquela fineza e detalhe só com o uso de químicos ninguém tinha esse teu cabelo. Essa tua graça. &lt;br /&gt;Eu sou um amante desajeitado. Tento atrair por antagonismos. Discutíamos muito e eu gozava o facto de não entenderes o fascínio por poesia, mesmo depois de teres lido, ou assim o julgo, um livro traduzido que eu te dei e que me deu a mim imenso trabalho a encontrar. Dizias que a vida era como as tuas fotografias (dizias sempre tuas fotografias) uma coisa acontece, há um intermediário, a coisa modifica-se.&lt;br /&gt;Eu gozava-te porque dizia que o amor era um intermediário, a poesia outro, a cor dos teus olhos era só mais um, mas esta terceira parte tu não entendias. Perguntava-te se o yoga não era para ti uma experiência poética e tu só me dizias que o yoga resumia-se a respirar fundo.&lt;br /&gt;Preocupava-me esse teu niilismo bem como o final da fotografia de película. Comprei uma impressora com um quinto do teu tamanho e tu um dia tiveste a bondade de me dizer adeus, beijo na cara, mão no braço. O cabelo preso para não me prenderes a mim nele. Tanta a bondade e tanta a poesia que era preciso alguém que nela não acreditasse para a transportar com tanta leveza.&lt;br /&gt;No outro dia no correio estava um mapa de uma cidade do teu país, um X marcava uma rua.&lt;br /&gt;"Aqui. Ainda fotografia química. Vem cá."&lt;br /&gt;Ando aqui a congelar uma lágrima para que ela não caia no mapa e borrate o X. Todos os dias tomo o pequeno-almoço e olho para o mapa. &lt;br /&gt;Lavo a loiça, respiro fundo, vou trabalhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4018288856939340692?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4018288856939340692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/11/x.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4018288856939340692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4018288856939340692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/11/x.html' title='X'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5525885251135161280</id><published>2010-10-03T12:00:00.004+01:00</published><updated>2010-10-03T12:00:00.878+01:00</updated><title type='text'>Outra bebida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho aqui umas tantas profanidades guardadas para te contar. Coisas que me apareceram de noite e me tiraram da cama, levantaram-me e serviram-me uma porção de leite com chocolate (não bebo uísque desde que te convidei e tu não vieste).&lt;br /&gt;Não sei como é com as meninas mas, com os rapazes, das feridas nascem medalhas. No dia seguinte ao mais espampanante tombo de bicicleta vamos para a escola de calções e manga curta. O mundo fica a saber que somos valentes. Fomos, vimos e doemos. &lt;br /&gt;Chorar? Isso é para bebés porque já somos meninos grandes. &lt;br /&gt;Que faço eu à ferida que tu me deixaste? É que na vida adulta os rapazes tornam-se homens e esses só ganham medalhas se exibirem ao peito as feridas que espetaram nos peitos de umas tantas mulheres. Não estamos preparados para o contrário.&lt;br /&gt;Tentei inventar uma intentona a ti. Recusaste um convite com segundas intenções mais ou menos evidentes que detectaste e deflectiste. &lt;br /&gt;Sim, o leite com chocolate às quatro da manhã põe-me bastante palavroso.&lt;br /&gt;No fundo as profanidades que me acordaram eram simplesmente o meu desejo de te oferecer o meu braço para te aconchegares e o meu colo para pores os pés enquanto deitada no meu sofá estudavas a lição para o dia seguinte. Este mesmo sofá onde me sento agora e ingiro o último gole de chocolate enquanto digiro o remorso de não te ter pegado logo nos lábios e colado-os aos meus como um dia outro te fará desenvergonhadamente para te levar a concretizar ponto a ponto os meus sonhos. Num outro sofá, com outra bebida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5525885251135161280?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5525885251135161280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/10/outra-bebida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5525885251135161280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5525885251135161280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/10/outra-bebida.html' title='Outra bebida'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4725599955670788104</id><published>2010-09-05T12:00:00.001+01:00</published><updated>2010-09-05T12:00:01.597+01:00</updated><title type='text'>Mais ou menos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;À memória da Susana, julgo ser esse o nome dela, que tinha os lábios mais botticellianos e os dentes mais alinhados do meu grupo de conhecimentos falo dos infelizes. Dedico-o à memória dela não por ela ter morrido literalmente, julgo isso não ter acontecido, mas sim porque uma vez casada com um idiota a mulher morre.&lt;br /&gt;É a maior aflição do homem sensível a excessiva contemplação das desgraças da vida e como as mãos, braços e pernas são pequenas demais para as resolver. Nos homens inteligentes a maior desgraça é não haver tempo para amar e ler, amar e ver um filme, amar e comer uma boa refeição. Um homem inteligente ou é bom numa coisa ou noutra. A consciência de ser médio em ambas resulta em aflições várias.&lt;br /&gt;Estas são as desculpas dos Homens a sério. Os sensíveis e inteligentes.&lt;br /&gt;Um bronco não tem desculpa para se sentir miserável e muito menos tem o direito de reclamar para si um par, feminino ou masculino, para infernizar e menorizar de forma a se sentir melhor. A Susana, que a terra lhe seja leve como hélio, deixou-se morrer coitada. Conheceu o seu carrasco num dia qualquer e deixou-se anilhar.&lt;br /&gt;Coitada.&lt;br /&gt;Como escreveu Adam Langer, em todos os bares de toda as cidades de todos os países em todos os continentes desde o início dos tempos há um idiota deprimido que traz agarrada ao seu braço uma mulher impressionante e delicada e todo o bar pára a olhar para o casal a imaginar como uma mulher daquelas foi acabar com um idiota daqueles.&lt;br /&gt;Como foste parar aos braços desse idiota Susana, se é mesmo esse o teu nome, como?&lt;br /&gt;De qualquer das formas não me constou que o restaurante onde te vi tivesse parado, nem ninguém se apiedou de ti e te resgatou. Talvez por te ver mais ou menos feliz e mais ou menos sorridente e hoje esse ser a média aceite. Mais ou menos amor e mais ou menos felicidade.&lt;br /&gt;Essa que é a aflição do homem romântico: O mais ou menos coração, mais ou menos emoção. Mais ou menos fidelidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4725599955670788104?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4725599955670788104/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/09/mais-ou-menos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4725599955670788104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4725599955670788104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/09/mais-ou-menos.html' title='Mais ou menos'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8384357050167777703</id><published>2010-07-04T12:00:00.002+01:00</published><updated>2010-07-04T12:00:01.522+01:00</updated><title type='text'>Como as sardinhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era um homem largo, portentoso. Com o olhar azul aberto como um horizonte e uma malinha que chocalhava de cada vez que se ajeitava no banco do autocarro para permitir que uma das madames se sentasse. Não que fosse necessário mas o boné divulgava a todos quantos quisessem reparar que estávamos na presença de um homem do mar. NRP Corte Real e uma figurinha do navio de guerra português bordados na frente do boné.&lt;br /&gt;As miúdas demasiado excitadas, mais novas que a sua idade real, que vinham da praia ainda a cheirar a creme e areia a usar roupas que no tempo de juventude do nosso nobre marinheiro seriam proibidas. Ele com os olhos nelas, parecidas com as dezenas de sereias que deixou por aí, na costa africana, mulatas e pretas, belas e a cheirar a suor e praia. &lt;br /&gt;Às catraias de hoje ele comia-as, perdão, bebia-as com os olhos. Mais suculentas que o punhado de peixes que trazia no balde tapado. Só aquelas três moças deixavam-no mais vergado do que o dia inteiro de faina rochosa ao sol. Nada incomoda mais um homem que os pedaços de juventude que deixam por aí e aos marinheiros, em cada levantar de ancora, é um naco que lhes sai e fica enterrado na areia do fundo do mar.&lt;br /&gt;Só aquelas três moças foram como três tiros de morteiro da fragata que o nosso herói apanhou naqueles olhos tão largos e tão cor de mar. Elas foram e ficou a serenidade. Haverá certamente mais marés e sereias nunca são boas conselheiras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8384357050167777703?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8384357050167777703/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/07/como-as-sardinhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8384357050167777703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8384357050167777703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/07/como-as-sardinhas.html' title='Como as sardinhas'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-417703330514437226</id><published>2010-06-27T12:00:00.004+01:00</published><updated>2010-06-27T12:00:02.991+01:00</updated><title type='text'>Apontar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todos os rapazes sabem que nas festas conhecem raparigas mas é preciso chegar à vida adulta para perceber que nas festas se conhecem mulheres. E durante algum tempo essas mulheres, belas que são, apenas existem no gémeo da perna discretamente exposta, no promissor decote em V ou nas pupilas dum par de olhos azuis que dilatavam a cada pulsar das luzes. Ora, a Inês era isso tudo e mais umas centenas de caracóis castanhos que me apontava como se fossem dedos indicadores.&lt;br /&gt;Como transformar uma perna, o fenomenal decote, as pupilas inadvertidamente exageradas ou os cabelos em tema de conversa é outra das coisas que só na vida adulta se entende. E faz-se, com maior ou menor dificuldade até porque o sorriso da Inês não podia ser postiço, era largo demais, com aquela doçura que só os sorrisos de dentes tortos têm. Uma aproximação lenta, um&lt;br /&gt;-Olá, boa noite.&lt;br /&gt;a resposta envergonhada e os tais dentes enviesados a filtrarem um&lt;br /&gt;-Olá&lt;br /&gt;que mal conseguia vencer a música.&lt;br /&gt;O resto, como escrevem os jornalistas quando querem encurtar os artigos, é história. Mais sorrisos, toques de ombro, danças (africanas, latinas e outras), bebidas e a confissão súbita&lt;br /&gt;-Desculpa, tenho de ir embora.&lt;br /&gt;E foi. Foste. Inês.&lt;br /&gt;Tu que me poderias apontar o que quisesses: uma mão cheia de caracóis, um desses teus olhares relaxados que reduziam a pupila e aumentavam a íris azul como água de piscina, os lábios, mãos, pés ou um mamilo, um prego para furar a parede quando pendurássemos uma das minhas fotografias ou os teus diplomas na nossa parede preferida da nossa casa. &lt;br /&gt;De tantas coisas que podias apontar e nem o número deixaste, nem o teu nome inteiro para te procurar à minha maneira. Nada. Só o nome Inês, a perna e o decote, os dentes infantis e o olhar como um anel fino de prata. &lt;br /&gt;Há coisas que só descobrimos na vida adulta, uma delas é que nunca deixamos de permitir que façam de nós uns miúdos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-417703330514437226?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/417703330514437226/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/06/apontar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/417703330514437226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/417703330514437226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/06/apontar.html' title='Apontar'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-389345900596570221</id><published>2010-06-06T12:00:00.002+01:00</published><updated>2010-06-06T12:00:00.485+01:00</updated><title type='text'>Vou comprar umas calças vermelhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É injusto que apareças assim no meu autocarro, tu com mais sete anos do que tinhas quando reprovaste no décimo primeiro e eu que esperei por ti até ao fim da faculdade que tive de ir tirar às ilhas. Tão burros nós éramos meu deus, as notas e os professores concordavam e eu passei a acreditar que não seria nada nem ninguém como o meu pai me dizia quando eu era pequeno. Esperei por ti num lugar ao qual não se chega de autocarro e só agora fica a menos de vinte contos, desculpa, cem euros a viagem de avião. Não contava que num momento de turbulência, no voo, claro, tu estivesses lá ao meu lado a fazer conversa de circunstância e de repente&lt;br /&gt;-Vánia? És tu?&lt;br /&gt;e seres mesmo. Não contava com isso. Mas entrares no meu autocarro, sentares à minha frente e brincares com o relógio é que não; agitares o cabelo e o perfume mesmo ali, à distância da grossura de um livro de poesia do meu nariz, era como se fosses de repente uma assistente de bordo ou a única capitã a pilotar aviões da TAP. É injusto que entretanto tenhas aprendido a combinar os sapatos vermelhos com o relógio vermelho que por sua vez brilhava com as leves flores vermelhas que a tua camisa branca aberta até àquele ponto que só as mulheres crescidas sabem qual é. É injusto que as calças de ganga fossem tão bem com o azul dos teus olhos que, raios me partissem se não olhassem para os meus (nem que tivesse de me deitar à tua frente mas havias de olhar!) não me conheceram.&lt;br /&gt;Não foi fuga tua. Tu não me viste absolutamente nada.&lt;br /&gt;É injusto andares agora a aparecer por cá, uma vez hoje e quantas mais no futuro nem sei, eu que me mantive ao teu nível e à espera, eu que derreti a minha média em explicações de um ano que não era o meu e tardes a estudar o que a tua mãe depois nos apanhou e proibiu de estudar e à espera. Eu que ainda hoje não aprendi como se combina uma camisola com um casaco como deve ser, calças de ganga só das muito azuis e muito gastas e o relógio, esse fiel velho, ainda é o mesmo que o meu pai me deu na última vez que achou que eu valia alguma coisa. Mantive-me burro e deselegante para ti e entretanto alguém te ensinou a ser uma mulher. Daquelas que abrem a camisa até aquele ponto que só elas sabem onde fica.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-389345900596570221?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/389345900596570221/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/06/vou-comprar-umas-calcas-vermelhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/389345900596570221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/389345900596570221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/06/vou-comprar-umas-calcas-vermelhas.html' title='Vou comprar umas calças vermelhas'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-1886882566937371851</id><published>2010-05-09T12:00:00.002+01:00</published><updated>2010-05-09T12:00:08.038+01:00</updated><title type='text'>Janelinha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já vi vários nomes para aquele buraco da porta por onde se espreita para ver as pessoas que nos batem à porta mas de todos janelinha parece-me ser o mais indicado. A tal janelinha foi desaparecendo porque quase todos vivemos agora em prédios ou moradias com aquele aparelho que empalidece e descolora as pessoas que nos pedem para entrar. Uma porcaria de um telefone de parede que nem sequer mostra cores e que solta um som de tiro sempre que abrimos a porta à tal pessoa que quer entrar. Nunca usei um desses aparelhos porque à frente da minha casa tem um estabelecimento com vidros espelhados que me deixam ver quem me pede para entrar. &lt;br /&gt;E gosto tanto da ideia da janelinha que, ao tirar fotografias, nunca olho para a imagem electrónica em lcd plasmado de não sei quantas polegadas e em vez disso espreito pela janelinha que com umas linhas finas faz um quadrado que enquadra quem eu quero aprisionar. Eu que nunca fui fotografado em condições tiro retratos incríveis porque ninguém está à espera que fotografe. Ao olhar pela janelinha julgam que estou a brincar e não têm tempo de posar um sorriso. A mim nunca fizeram este favor. A mim tiram-me fotos usando aquela luz laranja que nos avisa que vem aí uma foto de flash. Eu, que a posar fico sempre um centímetro pior.&lt;br /&gt;A mim atendem-me sempre com o tal aparelho que desbota e descolora e mal consigo perceber o que me perguntam. Se eu te atirar uma pedrinha para a janelinha prometes não te assustar e abrires-me a porta? &lt;br /&gt;Levo cores comigo, prometo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-1886882566937371851?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/1886882566937371851/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/05/janelinha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1886882566937371851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1886882566937371851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/05/janelinha.html' title='Janelinha'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-1962355718656949411</id><published>2010-05-02T12:00:00.002+01:00</published><updated>2010-05-02T12:00:05.438+01:00</updated><title type='text'>Cliché</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fiquei há pouco tempo a saber que clichés e, mais etimologicamente evidente, estereótipos eram conjuntos de letras ou frases que apareciam várias vezes juntos em livros e jornais portanto, isto no tempo em que as impressoras aplicavam mesmo pressão sobre a folha para marcar as letras. &lt;br /&gt;Hoje em dia ambas as palavras perderam este significado e trazem consigo o peso do mofo e da inevitabilidade. Uma pessoa fugir à norma é contra-corrente mas, simultaneamente, ser rebelde por sistema como diz a minha caríssima Mitó numa música dos Naifa é um enorme cliché. Estar apaixonado é, com grande tristeza minha, um enorme cliché.&lt;br /&gt;Claro, sim eu sei, naqueles momentos não pensamos bem nisso. Só nós no mundo estamos a sentir algo do género. O tempo pára e tudo mais. Eu sei, a sério, estive lá. Fiz isso. Falem com alguém que conhecem só para ver se não lhes sucedeu o mesmo. Por esta altura as nossas experiências foram mais ou menos as mesmas que dos outros todos. Lá está o raio do cliché.&lt;br /&gt;O que não é cliché são todas as coisas que se fizeram entretanto. O que fiz na manhã após ter conhecido o meu amor não é vulgar. Muito menos o será o local onde demos o nosso primeiro beijo, nevoeiro e orvalho daqueles não há mais nenhuma vez nos próximos dez anos.&lt;br /&gt;Mas no fundo, falar só desses momentos kodak é já de si um cliché. Esconder as melhores partes desse amor porque, como dizem os visionários filósofos de bairro, o melhor é para se guardar é um cliché. E não será isso uma óptima notícia?&lt;br /&gt;Se o amor se tornar um cliché, sem se tornar uma vírgula ou o aroma volátil de um postal que de se abrir demasiadas vezes se perdeu, todos temos a ganhar.&lt;br /&gt;Se o amor for vulgar na proliferação mas não no desgaste das línguas e do desleixo abriremos todos uma gaveta, como calculo que os senhores das impressoras o faziam, onde guardamos a nossa palavra favorita, sempre brilhante e polida pronta a ser usada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-1962355718656949411?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/1962355718656949411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/05/cliche.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1962355718656949411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1962355718656949411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/05/cliche.html' title='Cliché'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-194567116144715687</id><published>2010-04-11T12:00:00.002+01:00</published><updated>2010-04-11T12:00:01.516+01:00</updated><title type='text'>Metropolitano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É com demasiado desprezo que se olham e olham para todos e para o exterior. É com o nariz levantado em desafio e um leve esgar de nojo que ouvem. Não cheguei a perceber porquê mas os lisboetas mais novos, que não são nem ingénuos nem sábios porque já passaram a idade da simples estupidez sem ainda terem chegado à idade da calma e contemplação, são bastante ingratos. Para um portuense descomplexado, que já passou a idade da estupidez e tacteia cada vez mais na contemplação da diversidade e da simplicidade é confuso como numa cidade como Lisboa se consegue ser triste. Há ruas iluminadas e casas amarelas. Há velhas nas janelas e cães a ver o sol não aos quadrados mas aos arabescos floreados de ferro forjado nas varandas. Há a tal luz de que eles, os lisboetas sábios, falam e que só nos tiram as palavras quando cá chegamos e, depois de regressados "lá acima", há aquele intangível indizível que nos obriga a recomendar a visita.&lt;br /&gt;As paixões não se explicam. Ou há ou não há. Por isso gostar de Lisboa quando se cresceu num sítio onde se cantava&lt;br /&gt;NÓS SÓ QUEREMOS LISBOA ÁRDER&lt;br /&gt;de cada vez que se vergavam os tais poderes estabelecidos é um mistério. As paixões surgem como nas bússolas avariadas quando a agulha se vira para a direcção errada mostrando-nos um sítio que não o destinado e que surpreende. Agulhas de bússola ou nos carris do metropolitano. Dedos em riste num mapa de uma montanha ou de uma cidade. Qual a diferença na realidade?&lt;br /&gt;E as lisboetas? Como surge a facilidade de as levar a sério na sua classe e excentricidade? Nas lojas e nos fados, porque somos magnetizados do positivismo do nosso peito ao positivismo das montras e ondas sonoras? Como é que nesta terra os pólos iguais não se repelem?&lt;br /&gt;Por isso aos miúdos com cara de nojo e manias de grandeza, naquela fase etária na qual já não têm vergonha e começam a ter confiança, cresçam. E rápido. Percebam porque a gente do mundo se junta nas grandes cidades e porque no regresso não têm nada de negativo a indicar tal como eu, no meu regresso "lá acima", antigo, mui nobre, sempre leal e invicto, levo comigo o sol e os azulejos, as velhas nas janelas e o cheiro do óleo no metropolitano. Logo eu que gosto tanto da palavra metropolitano.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-194567116144715687?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/194567116144715687/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/04/metropolitano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/194567116144715687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/194567116144715687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/04/metropolitano.html' title='Metropolitano'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2802159929407916459</id><published>2010-04-04T12:00:00.002+01:00</published><updated>2010-04-04T12:00:04.736+01:00</updated><title type='text'>Slow</title><content type='html'>Se pudesse cobria-te o ombro com a mão, como fiz naquele dia em que dançamos e voltaria a surpreender-me com o tamanho das tuas costelas e com o facto de teres um corpete por baixo da camisola. Já não tenho idade para me deixar enganar por sapatos e nas tuas saias curtas podia já ter percebido que as tuas pernas não eram tão longas quanto julgava.&lt;br /&gt;Já o meu pai me dizia que era preciso dançar com uma moça, eu não uso a palavra moça mas ele sim, para a conhecer. Se nos olhar nos olhos é bom, se passar o tempo todo a falar é mau. Se se chegar a nós é óptimo, se tentar conduzir a dança é péssimo. Como esperava tu olhaste para mim o tempo todo, esse olhar doce que eu defendia quando diziam que tu eras arrogante com a sua cor ora azeitona ora carvalho conforme a música e o raio do sol que de vez em quando nos colava ao chão.&lt;br /&gt;Se me deixasses cobria-te o joelho, com a mão ou com a boca, como pensava enquanto a música terminava e a dança se separava sem que tu deixasses de me polir esse olhar, envernizado agora pelo carinho, mais carvalho que azeitona.&lt;br /&gt;-Temos de fazer isto mais vezes&lt;br /&gt;disse eu, ao que tu respondeste&lt;br /&gt;-Daqui a dez minutos vai passar um slow e nunca é tarde demais para voltar aos tempos do secundário&lt;br /&gt;Eu sorri sem pensar que passados dez minutos, quinze minutos, vinte minutos os slows vinham e iam e tu não chegavas. Nem som nem imagem nem nada. Deixaste apenas um som no telemóvel que na imagem mostrava "tive de ir embora mais cedo, desculpa. prometo um slow. bjs"&lt;br /&gt;Se tu me deixasses, agora que já passou tanto tempo desde que prometeste, dançava contigo. Cobria-te o ombro e as costas, os joelhos e o peito. Se me permitires eu conduzo e deixo-te até escolher a música.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2802159929407916459?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2802159929407916459/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/04/slow.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2802159929407916459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2802159929407916459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/04/slow.html' title='Slow'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4091027549607728196</id><published>2010-03-28T12:00:00.003+01:00</published><updated>2010-03-28T12:00:06.597+01:00</updated><title type='text'>Ao balcão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dizes&lt;br /&gt;-Já não há cafés como este.&lt;br /&gt;Foi o início da nossa conversa. Eu à espera do meu prego no pão e tu a dizer-me que o café era bom. E quando respondi&lt;br /&gt;-Há este&lt;br /&gt;achaste piada da mesma forma nervosa como abriste a conversa.&lt;br /&gt;Da primeira vez que te trouxe cá nem conseguias chegar ao pedal, chamemos-lhe assim, do banco. Dizia-te eu&lt;br /&gt;-Os homens sentam-se ao balcão&lt;br /&gt;e tu todo orgulhoso à espera da tua primeira coca-cola.&lt;br /&gt;Temos uns pais excelentes mas eu tive a tua idade mais recentemente. Fiz merda há só uns anos atrás. E, ao contrário dos pais, posso admitir as vezes que fiz borrada.&lt;br /&gt;Espero pelo prego e tu a olhar vagamente para o teu bolo de chocolate. Noutra ocasião ditar-te-ia as regras de comer ao balcão. Regras que não existem e que eu inventava na hora para te chamar criança. Uma dessas regras é, definitivamente, não comer nada doce à hora de refeição ao balcão de um café.&lt;br /&gt;Fui eu que te ensinei a jogar bilhar e que te disse que fumar não te fazia parecer mais fixe. Jogar bilhar sim. Ensinei-te a conduzir a minha motorizada e deixaste de dar voltas no carro podre do teu amigo antes de teres a carta. Mas lá está, há borradas que ninguém consegue tapar.&lt;br /&gt;O prego chega&lt;br /&gt;-Meu... Estava tudo a correr bem. Só que pronto, aborreci-me e devia ter tido cuidado.&lt;br /&gt;-Não, não devias ter tido cuidado. Acabavas com a moça e depois comias a outra. Na boa, sem dramas. E devias ter começado a discursar antes da comida vir. Come e cala-te.&lt;br /&gt;Como em casa quando as notas caíam a refeição foi desaparecendo em silêncio, dentada a dentada, abrindo caminho pelas gargantas contrariadas. Os cafés que servem refeições ao balcão têm esta particularidade de nos aproximarem do chefe do café. E ninguém leva lá as mulheres, os casais ficam nas mesas da sala, atrás de nós. Esta é mais uma regra do comer ao balcão.&lt;br /&gt;-Rapaz, ouve-me. Eu tive de aprender sozinho como as coisas se passam e como tudo o que fazia me lixava. Dei cabo do carro dos pais quando andavas no quinto ano, apanhei a primeira bebedeira quando andavas no nono. Tudo coisas para as quais te alertei. Agora pensa numa coisa, tenho quase trinta anos e estou aqui contigo a ensinar-te meia dúzia de coisas sobre como comer ao balcão. Não me vês ali sentado à mesa com uma mulher pois não?&lt;br /&gt;-Não.&lt;br /&gt;-Acredita em mim. Tens uma ou duas boas oportunidades. Há miúdas que usas e aproveitas e há mulheres às quais te agarras e não largas mais. Tu nunca tiveste acidentes de carro, foste para o hospital com uma bebedeira ou fumaste umas ganzas porque eu fui à frente e fiz essas merdas todas. Nunca tínhamos falado das minhas namoradas mas, se tenho esta idade, vivo sozinho e como sempre ao balcão deves fazer uma pequena ideia das asneiras que fiz.&lt;br /&gt;Tu parado a olhar para o prato manchado de chocolate. Pareces ter apetite para mais.&lt;br /&gt;Eu a desejar já não ter que me preocupar contigo com um nó na garganta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4091027549607728196?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4091027549607728196/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/03/ao-balcao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4091027549607728196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4091027549607728196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/03/ao-balcao.html' title='Ao balcão'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4638125094448169923</id><published>2010-03-21T12:00:00.002Z</published><updated>2010-03-21T12:00:03.042Z</updated><title type='text'>Correio de Domingo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todos os Domingos a mesma comoção na minha rua. Comoção de choro e tristeza, não de agitação. Como encomendas, crianças trocam de mãos e adolescentes trocam de carros. As receptoras das encomendas, as mães, revelam a forma como o casamento acabou pela forma como reclamam a encomenda. Há as que ficam no carro a apitar com má cara, as que sobem de bom grado. Há as que vêm com os novos maridos e as que olham de lado para a saca da roupa e o cheque de assinatura ainda fresca dizendo para a rua toda ouvir algo que não ouço porque vivo no terceiro andar.&lt;br /&gt;Os remetentes das encomendas, os homens estão condenados a entregar sempre bocados seus, esses são iguais, com mais ou menos disfarce lá vão à janela ver os carros das destinatárias desaparecer na esquina, numa destas ruas pequenas que ainda tem cruzamentos, um de cada vez. Na carteira e nos móveis fotografias dos pequenos envelopes que eram os seus bebés e, em alguns casos, as belas caixinhas e impressionantes volumes em que se tornaram. No frigorífico as lembranças do tempo em que na escola faziam postais do dia do pai, naquela idade em que ainda não têm vergonha de dizer&lt;br /&gt;-Amo-te pai.&lt;br /&gt;As encomendas, de todos os tamanhos e feitios, ora vão tristes ora vão alegres. Quem já recebeu uma encomenda em casa sabe que há pacotes alegres e outros tristonhos, nenhuma novidade aí. Só que há sempre um apego aos pacotes desembrulhados e ligeiramente esmurrados, que passaram por quatro funcionários dos correios antes de nos chegar às mãos. Ao abrir, um defeito ou uma peça partida e a devolução ao remetente, breve como se exige.&lt;br /&gt;Cá em casa bastante comoção e muitas prateleiras vazias, espaço de sobra para mais livros, mais filmes e mais música porque para já não quero fotografias de pequenos envelopes na praia, disfarçados de super-heróis, com os avós ou em fotos encenadas. No entanto guardo algum espaço no frigorífico para dizerem que me amam e mantenho remetente e destinatário dentro da mesma morada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4638125094448169923?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4638125094448169923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/03/correio-de-domingo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4638125094448169923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4638125094448169923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/03/correio-de-domingo.html' title='Correio de Domingo'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-269465964589721173</id><published>2010-03-14T12:00:00.001Z</published><updated>2010-03-14T12:00:07.222Z</updated><title type='text'>À distância</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho um gosto por jogos de computador. Demasiado dirias-me tu, se eu te perguntasse o que achas disso. É verdade que a prática é amiga da perfeição mas, tal como nos jogos de computador são os intervalos que revelam novas inspirações.&lt;br /&gt;Muitas vezes jogo "coisas de corridas" como tu lhes chamas e quase outras tantas vezes exploro uma linha de corrida que me parece ser a ideal ou uma configuração de suspensão que me parece ser a mais indicada para a abrasão da pista. Tento e pratico e nada resulta. Passado umas semanas volto ao jogo e tento coisas novas, inspiradas pela novidade experiente de quem volta a uma coisa que conhece bem mas ainda não completamente.&lt;br /&gt;Eu até diria que com o amor também pode ser assim, o que não resulta hoje pode resultar após umas semanas de separação desde que aplicado de forma diferente, em tempos diferentes.&lt;br /&gt;Eu diria isso, se tu não achasses imensamente parvo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-269465964589721173?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/269465964589721173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/03/distancia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/269465964589721173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/269465964589721173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/03/distancia.html' title='À distância'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-41146393510586052</id><published>2010-03-07T12:00:00.001Z</published><updated>2010-03-07T12:00:06.324Z</updated><title type='text'>Uma caneca cheia de varanda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho uma janela deprimida no meu quarto. Uma janela virada para uma parede onde tal qual um tronco desce um cano liso, pintado com o mesmo verde-caule da parede e pelo qual corre, em dias de chuva, toda a água que o telhado do prédio da frente recusa acolher. Neste quarto pequeno, Xis Xis Solteiro como lhe chama a minha mãe, poucas histórias acontecem além do guarda vestidos emproado, da cama com algum uso e da tal janela que não se vê ao espelho na parede do prédio da frente.&lt;br /&gt;Nos dias de sol, quando quase nunca cá estou, penso na tua varanda e como podia ter morrido umas quatro vezes caso o resguardo em ferro forjado decidisse desfazer o abraço que tinha com o granito. Às vezes olhava lá para baixo a tentar perceber se sobreviveria e raramente me sentia optimista. Nunca tive curiosidade em tirar essa teima a limpo, note-se, mas tinha a queda tão calculada como tinha passado horas a pensar como fugir pela varanda no caso de nos acordarem numa noite qualquer a uma hora qualquer com uivos de fogo e socorro, breu e tosse por todo o lado e eu, com a maior das calmas, a salvar-te pelo canto esquerdo da varanda, bem próximo da janela do teu vizinho que, entre tantas noites a esperar-te, fui aprendendo a abrir do lado de fora.&lt;br /&gt;Numa dessas noites em que te esperava -podia ter morrido duas vezes só nessa noite porque me debruçava no ferro para ver se aparecias- pratiquei como fazer um chocolate quente pastoso / enjoativo e como fazer com que a primeira qualidade não causasse a segunda. Ao chegares, a única caneca que restava era uma vermelha que lá tinhas sem asa e tu a corrigires&lt;br /&gt;- É pega, não é asa.&lt;br /&gt;eu a sorrir, assegurando-te&lt;br /&gt;- Passo muito tempo de cabeça no ar, não preciso que me pegues, prefiro que me...&lt;br /&gt;o pensamento a meio e tu com uma mancha de chocolate no queixo a desafiar&lt;br /&gt;-...preferes que te ase?&lt;br /&gt;contrariado admito que essa minha condição de cabeça no ar inclui não ter os pensamentos acabados na cabeça quando começo a falar. Apago da tua cara o sorriso e a mancha de chocolate num só beijo mas depois da tua varanda não duramos muito, o inverno acaba com os amores porque estes não podem ir à varanda e não há chocolate quente que simule aquela viscosidade nada enjoativa dos carinhos leves ao sol. &lt;br /&gt;Depois da tua varanda vim a conhecer esta janela cabisbaixa que, já estive a ver, em caso de incêndio não me deixa escapar. Caso uma desgraça aconteça hão-de encontrar uma caixa preta com uma janela de plástico e lá dentro uma caneca igual à tua, tão alegremente inteira que se a tirar da caixa ela voa janela fora. &lt;br /&gt;Dentro da caixa a caneca e dentro da caneca um post-it a dizer:&lt;br /&gt;"Para que nem nas canecas te faltem asas, pega as minhas."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-41146393510586052?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/41146393510586052/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/03/uma-caneca-cheia-de-varanda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/41146393510586052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/41146393510586052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/03/uma-caneca-cheia-de-varanda.html' title='Uma caneca cheia de varanda'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-6993544304974046911</id><published>2010-02-28T12:00:00.002Z</published><updated>2010-02-28T12:00:00.707Z</updated><title type='text'>Tristeza, cá, já e ainda é primavera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Só me apetecia chorar sabes? Apetecia-me não porque me apetecesse mas porque ninguém acreditava na minha tristeza enquanto não o fizesse. Um momento de emoção ou até só uma tremura de queixo bastaria para legitimar o momento solene. Lembro-me que quando era pequeno e o meu padrinho morreu me senti culpado porque lágrimas nem vê-las.&lt;br /&gt;Sabes tristeza, não tenho tempo para ti. Às vezes bates à porta e deixas um bilhete no correio. Noutras ligas-me e eu deixo ir para voice mail. Nas vezes que chegas a entrar, habitualmente quando almoço sozinho na cozinha com o cão à espera da esmola, eu ignoro-te. Tu ali a olhar para mim como o cão, à espera de seres alimentada pela minha atenção e eu a fazer de conta. A abafar a tua presença com telejornal, jazz e planos acerca da sobremesa.&lt;br /&gt;Ó tristeza quem dera que chorasse para que as pessoas lá no trabalho não murmurassem na Segunda-Feira que nada me atinge, que sorria como se nada se passasse e que não me importo por nada. Tristeza, pudesse eu ter tempo para ti ou acabasses tu com os cappuccinos feitos de café e espuma de leite, com a máquina do pão ou fulminasses os White Stripes e talvez te desse atenção e um assento ao meu lado no carro, no autocarro e à mesa nas refeições. Falaríamos imenso de banalidades e ocasionalmente desmoronariamos-nos em choros e prantos abundantes.&lt;br /&gt;Agora indulgencia-me enquanto vou ali alegrar-me, por favor, não te quero entristecer mas nestes vinte e tal anos já te dei tanto e tu nada em troca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-6993544304974046911?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/6993544304974046911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/02/tristeza-ca-ja-e-ainda-e-primavera.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6993544304974046911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6993544304974046911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/02/tristeza-ca-ja-e-ainda-e-primavera.html' title='Tristeza, cá, já e ainda é primavera'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-1603783362042114122</id><published>2010-02-21T12:00:00.000Z</published><updated>2010-02-21T12:00:00.361Z</updated><title type='text'>Full-Time</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que fazemos é a terceira ou quarta coisa mais interessante sobre nós. Mas nada mais que isso.&lt;br /&gt;O meu avô era um tipo excelente, emocionava-se sempre que se falava de familiares mortos ou longínquos, era ligeiramente destravado na bebida e bastante profano na linguagem mas, acima de tudo ,era um humano bem disposto. O único defeito que tinha era achar que quando se reformasse a empresa onde trabalhava iria falir.&lt;br /&gt;Um dia de manhã, supostamente enquanto se gabava da forma perfeita e fácil como manobrava uma prensa de papel até de olhos fechados a mão direita foi esmagada. Num minuto somos inteiros e noutro seguinte largamos farrapos.&lt;br /&gt;Após esta reforma forçada o patrão dele empregou um puto da zona, sem qualquer experiência, que se adaptou bem e continuou a trabalhar lá até à eventual falência da empresa uns 15 anos depois.&lt;br /&gt;O que ao crescer tirei desta história, real como o brilho que lhe crescia nos olhos sempre que se usava uma das bases de copos que eles lá faziam e que temos na família às toneladas, é que somos descartáveis. O que lá fazemos não é nosso património e mesmo que façamos um trabalho excelente há sempre alguém em formação que com alguns acidentes de percurso faz um trabalho bom o suficiente. Não somos nada.&lt;br /&gt;E tudo bem. A sério. &lt;br /&gt;Asseguro-me todos os dias que o meu maior trabalho, aquele que faço com maior afinco e dedicação está em casa. Uma família unida e carinhosa. Um local onde se trabalha bastante, se descansa pouco mas onde não sou descartável. Ninguém pode vir cá e fazer melhor trabalho do que o meu. Claro que um dia de manhã não acordo e deixo cá tudo. O local de trabalho e as tretas que partilhei com as pessoas para as quais e com as quais trabalhei.&lt;br /&gt;Espero só ter tempo bastante para trabalhar para um moço ou uma moça que após a minha reforma tome bem conta da família, mesmo com acidentes de percurso, de uma forma melhor que a minha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-1603783362042114122?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/1603783362042114122/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/02/full-time.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1603783362042114122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1603783362042114122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/02/full-time.html' title='Full-Time'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2401603732810000589</id><published>2010-02-14T12:00:00.004Z</published><updated>2010-02-14T12:00:01.561Z</updated><title type='text'>Pianinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não te devolvi a foto que trago na carteira. Tu provavelmente nem te lembras de ma dar tal como eu não me lembro se ma deste ou se fui eu que ta roubei. Ela está ali, desafiadora e esbugalhada como tu. Parece até por vezes que me está a marcar o plástico como se o teu maxilar se enterrasse lá e tudo à volta fossem altos.&lt;br /&gt;Enervava-te eu não tolerar barulho e de ti o único barulho que me agradava era o som dos teus passos flutuantes, esses pés pequenos largos nas sapatilhas brancas que só a Adidas faz. Aquele raspar nas pedrinhas como se ao andar calcasses pedaços de lâmpadas fluorescentes. Atrás de ti era como se caísse noite. Era como se fosses a assistente de um mágico e à tua passagem um pano de veludo preto caísse. Basicamente reescrevias a história porque ao passares havia um antes de ti e um depois de ti. Claro que na altura eu nem pensava muito nisso porque estava no teu presente, tu o meu ponteiro dos minutos comigo sempre a olhar em frente de braço - nunca mão - enlaçado. &lt;br /&gt;Mas é como te digo, todos os teus outros barulhos me enervavam. Ao dormir não só me adormecias o braço com o teu maxilar afiado como expiravas imenso. Ao cozinhar mostravas nas panelas o talento que te faltou na bateria. Até na cama, no sexo ou algo mais, a tua anca estalava e eu parava com medo de te estar a desmontar alguma coisa.&lt;br /&gt;No dia em que no seguinte já não regressaste desceste as escadas descalça, tijoleira fria e tu a descer. Nem um som de ventosa do pé descalço. Nada. Disseste&lt;br /&gt;-Tenho de ir indo.&lt;br /&gt;e fostes indo.&lt;br /&gt;Se soubesses que tenho ainda aqui a tua fotografia, que vejo sempre que me pedem o cartão do ginásio, gritavas e batias - literalmente - com o pé no chão (Não gostava do som mas o gesto era amoroso) e como nunca gostei da tua voz nem estou para te ouvir partir lâmpadas mantenho a carteira fechada, abafada como se num daqueles dias em que dormias no meu braço, em vez de deixar que o teu maxilar me cortasse a circulação, eu te acordasse só para te mandar calar com um estalo na cara.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2401603732810000589?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2401603732810000589/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/02/pianinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2401603732810000589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2401603732810000589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/02/pianinho.html' title='Pianinho'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4460190631295281347</id><published>2010-02-07T12:00:00.003Z</published><updated>2010-02-07T12:00:03.001Z</updated><title type='text'>Eu matei um tigre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não conheço ninguém que parta corações ou desfaça sonhos de propósito. Não estou a dizer que não há quem o faça, apenas eu tenho a sorte de conhecer uns sacanas com alguma classe que fazem as asneiras sem intenção de magoar. O problema nestas coisas do magoar é que raramente se magoa com mentiras. É a verdade que nos rasga. E foi com a verdade que eu parti um pequenito coração.&lt;br /&gt;Não sei se sei mais do que um miúdo de dez anos mas por vezes gostava de saber fazer aquele olhar deles e saber ser de novo inocente como eles. Depois esperava que nenhum adulto fizesse a leve sacanice de me dizer uma verdade cedo demais. &lt;br /&gt;Que foi exactamente que eu fiz.&lt;br /&gt;A minha prima, com os seus dez anos bastante mais esclarecidos do que à época eram os meus, confessou-me que os seus bonecos preferidos eram o Calvin e o Hobbes. Tal como o Principezinho e os desenhos do Tom &amp; Jerry não há idade indicada para gostar, há sempre alguma coisa escrita nas linhas ou entrelinhas mudas que faz mais sentido em dado momento do que fez noutro. Há montanhas que nem vemos quando temos os olhos jovens. Os dez anos dela são mais espertos que os meus porque é uma rapariga curiosa que não tem vergonha de fazer perguntas. &lt;br /&gt;-Olha, porque é que quando os pais do Calvin aparecem o tigre desaparece?&lt;br /&gt;Considero mentir mas não consigo, lembro-me de já ter percebido a verdade sobre o Hobbes muito tarde e sentir-me estúpido. Nem sequer pedi uma segunda opinião com medo de ser gozado.&lt;br /&gt;Depois da resposta, entregue com a minha sinceridade distraída, ficou o desencanto dela colado ao livro naqueles olhos enormes que herdou da mãe. &lt;br /&gt;Expliquei-lhe que não fazia mal que o Hobbes fosse só um peluche porque muitas vezes o que imaginamos é melhor que a realidade e mais vale imaginar uma coisa do que não ter nada. Ela sorri contrariada a fazer um esforço para sacudir a desilusão.&lt;br /&gt;Já era altura de ela saber que uma das coisas mais difíceis no ser humano é reaprender a gostar de algo ou alguém. O Hobbes merece o esforço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4460190631295281347?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4460190631295281347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/02/eu-matei-um-tigre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4460190631295281347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4460190631295281347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/02/eu-matei-um-tigre.html' title='Eu matei um tigre'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-6066077463292129874</id><published>2010-01-31T12:00:00.000Z</published><updated>2010-01-31T12:00:02.216Z</updated><title type='text'>Liquidação Total</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando chegaste achei insensato que numa aldeia onde já se queimaram bruxas, onde se queimaram bruxas até depois de já não o fazerem em lado algum, quereres abrir uma loja de bruxarias. Nesta terra cremos em bruxas porque as há e sabemos quem são. É ver as senhoras correr para a mãe de santo para curar o casamento do filho ou o mau olhado que cai sobre as terras. Depois o dinheiro desaparece e ninguém diz porquê. Nos rumores do povo é o homem que joga ou bebe, derrete o dinheiro na boa vida, tem outra mulher.&lt;br /&gt;Mas como ia dizendo, uma terra assim fechada e silenciosa precisava de uma loja que a obrigasse a falar no mercado. Esta terra precisava de uma pouca vergonha que a abanasse. Por isso admirei a tua coragem logo no primeiro dia ao copiares o vestido da deusa de louça de tamanho real que está na montra. Aquele tecido leve, transparente, aberto naquele decote que suplantava o da deusa em comprimento, largura e volúpia. A deusa, ideal e perfeita, não tinha o teu peito nem fazia esvoaçar o vestido, bastante acima do joelho, sempre que arrumavas umas cartas de tarot, uns incensos ou, que deus me perdoe, colocavas uma bola de cristal na última prateleira.&lt;br /&gt;Na nossa biblioteca há dois livros sobre o oculto. Um sobre tarot e outro sobre runas. Para pedras já chega o meu trabalho e como sempre me safei bem à sueca trouxe o livro para casa e estudei tarot. Um plano genial que culminaria na minha entrada triunfal na loja, tu apanhada desprevenida a arrumar um livro de costas para o balcão e eu a dizer&lt;br /&gt;-Ando à procura de um baralho de tarot de 1956&lt;br /&gt;Assim como vou à cidade e peço um vinho de 2006. Com ar conhecedor, interessado e interessante. Uma comunhão de interesses. E tu a pensar na sorte que tiveste em vir para esta terra esquecida pelos deuses encontrar alguém como eu.&lt;br /&gt;O tarot não tem nenhuma ligação à sueca. Não tinha tanta consciência disso como depois de estudar no livro. Esta era uma evidência que provavelmente me apontarias se o meu plano fosse simplesmente entrar na loja, de olhos envergonhados a perguntar sobre o que ali se vendia. Esse até poderia ser melhor plano. Não sei.&lt;br /&gt;No dia em que acabei o livro, uns dois meses depois de o requisitar, decidi que era a altura certa de te fazer a tal visita. Da janela de minha casa via-te lá dentro com um ar aborrecido. Dizia-se que o negócio não te corria bem. Vendias umas velas aromáticas e pouco mais. Nesse mesmo dia, pela hora do almoço vários papeis no vidro diziam "LIQUIDAÇÃO TOTAL".  Ainda nesse dia vi o teu olhar triste, a planetas do olhar desafiante e atitude atrevida, tão longe da deusa de louça como no primeiro dia a deusa estava de ti. Vi a tua atitude de desprezo a ver as velhas a entrar todas faladoras e interessadas como verdadeiros abutres de promoções que são. No final compravam uns incensos e estava feito.&lt;br /&gt;Tinha pouco tempo portanto saí de casa com o plano B nas mãos. Entrei, o espanta espíritos a anunciar a minha chegada (lá se ia a parte do plano A em que te surpreendia de costas), tu a olhar vagamente para mim como se olha para um livro que não apetece ler e a dizer com pouca vontade de dizer fosse o que fosse&lt;br /&gt;-Boa tarde, que deseja?&lt;br /&gt;-Queria saber se a estátua que tem na montra também está à venda&lt;br /&gt;Tu a hesitar...&lt;br /&gt;-Não está. Estou com problemas em pagar a mudança daqui para fora mas a estátua é o que faz a montra, não a posso vender.&lt;br /&gt;-É pena...&lt;br /&gt;Tu a sorrires levemente. Parecias estranhar como se já não sorrisses à anos&lt;br /&gt;-Mas para que queria a estátua?&lt;br /&gt;-Estou a ver que vai embora. Vai antes que eu tivesse coragem de vir cá pedir-lhe explicações de tarot. Se eu ficasse com a estátua era um bocado seu que ficava comigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-6066077463292129874?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/6066077463292129874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/liquidacao-total.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6066077463292129874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6066077463292129874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/liquidacao-total.html' title='Liquidação Total'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-324691259343076991</id><published>2010-01-24T12:00:00.003Z</published><updated>2010-01-24T12:00:00.699Z</updated><title type='text'>O lanche é a refeição mais importante do dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Podias ter fechado a porta tal como podias ter desligado o telefone de todas as vezes que te liguei e depois de não ter mais nada para dizer ficavas ali a respirar no ar seco sem teres coragem de desligar.&lt;br /&gt;Podias ter saído com um ponto e um parágrafo. Assim um final em grande. Uma frase marcada e citável por gerações e gerações que quisessem uma despedida com o impacto de um estalo na orelha. Podia-te ter ocorrido esquecer os nossos lanches em que eu te corrigia e dava perspectiva sobre a tua forma de fazer as coisas enquanto tu a mim perguntavas se estava tudo bem e quando eu dizia&lt;br /&gt;-Sim está&lt;br /&gt;nem tentavas confirmar se era verdade ou não.&lt;br /&gt;Agora que me dizes,&lt;br /&gt;-Sem os teus conselhos e a tua forma de ver a vida nada de bom me teria acontecido neste último ano, não teria coragem de insistir na minha relação e muito menos na gravidez que me uniu ao Marco&lt;br /&gt;principalmente quando dizes&lt;br /&gt;-Ele realmente merecia uma segunda oportunidade porque no fundo é boa pessoa&lt;br /&gt;encosto a cabeça à almofada e penso que gostava muito mais de falar contigo quando te calavas e me ficavas a ouvir a respirar ar seco sem ter coragem de desligar. A ingenuidade de não notar o cansaço que transpira sempre que se diz que uma pessoa é boa no fundo faz notar que o tempo que perdi contigo foi, no fundo, tempo perdido.&lt;br /&gt;O que eu não sei sobre ti chegava para escrever um álbum duplo de canções, admito isso, mas nem sonhas que o que não sabes sobre mim chegaria para preencher uma folha a escrever em cada linha de uma pauta musical como se fosses uma criança a corrigir a má caligrafia. Se tu tivesses vontade de ouvir mais do que a minha falsa felicidade ainda estávamos na sala de música a ditar letras para escrever nas pautas e, no meio de tanto material valioso usado indevidamente, tu perceberias que aquela música falava de ti e que talvez ter um baladeiro em casa fosse bom para a educação dos pequenos que me dizias nunca querer ter.&lt;br /&gt;Não sabes por exemplo que eu só ficava suspenso ao telemóvel sem falar porque sabia o que queria dizer mas guardava-o aqui na ponta da língua à mão de semear. &lt;br /&gt;-A minha prima meteu na cabeça que quer ser veterinária como tu. &lt;br /&gt;-Passei de carro na tua antiga rua e estão lá obras. &lt;br /&gt;-A minha irmã tem uma colega de trabalho com o teu nome.&lt;br /&gt;-Ainda não lavei o casaco que te emprestei em Braga.&lt;br /&gt;Estas coisas ficavam no bolso da camisa à espera de um momento aflito em que eu não tinha nada de interessante para dizer e seriam a desculpa para te ligar e ouvir a tua voz a meio da tarde. Se estivesses perto lanchávamos e tudo se repetia.&lt;br /&gt;Podias ter ficado pelo menos uma vez para jantar e podias ter percebido que uma casa sem música é como uma veterinária sem coração. É como uma mãe sem amor pelo pai.&lt;br /&gt;-Sim, claro que sim. Canto no teu casamento... Levo uns amigos e fazemos uma coisa porreira.&lt;br /&gt;Ainda bem que me ocupaste. Não podia faltar ao casamento mas também não se constava que fosse ter muito apetite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-324691259343076991?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/324691259343076991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/o-lanche-e-refeicao-mais-importante-do.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/324691259343076991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/324691259343076991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/o-lanche-e-refeicao-mais-importante-do.html' title='O lanche é a refeição mais importante do dia'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4539501065757806502</id><published>2010-01-17T12:00:00.000Z</published><updated>2010-01-17T12:00:05.184Z</updated><title type='text'>Um optimismo realista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acusavam-no de ser optimista. Assim da mesma forma como as pessoas dos meios pequenos acusam de coisas com nomes feios as senhoras divorciadas que saem à noite. Com aquela inveja dos fracos que têm já mais vida para trás do que terão para diante.&lt;br /&gt;Acusavam-no de ser demasiado optimista e ele a sorrir, com um cinismo doce de quem tem consciência de ser um ciclope em terra de cegos. Nas conversas privadas dizia-se que um dia as asas da juventude haviam de depenar e quando ele desse por si tinha uma vida suburbana como todos os outros. &lt;br /&gt;-Ele há-de cair na real&lt;br /&gt;diziam todos esses outros a observá-lo à distancia, depois de ele passar, intrigados pela ausência de perfumes químicos no ar e genuinamente intrigados com a forma como o ar parecia aquecer à sua volta, genuinamente perturbados pela brisa quase vento que se punha após a passagem dele.&lt;br /&gt;Um dia acusaram-no de ser ingénuo e nem calor nem sorrisos nem cinismo. Muito menos vento. Foi um furacão que se levantou e para que todos ouvissem&lt;br /&gt;-Os ingénuos são vocês porque durante o tempo que passam a olhar para o chão já as oportunidades vieram e foram. Podiam ter aprendido comigo que o amor não é uma bóia mas sim um mar e vocês, conforme vos aprouver, uma rede de arrasto ou uma linha. Há que acordar cedo e lançar um isco vivo porque só o peixe do restolho morde pedaços podres de lixo a flutuar. Podiam também ter aprendido que o trabalho existe para que se preencham espaços mortos na nossa vida. Se tivessem aprendido isso teriam notado que o meu optimismo se devia a ter uma boa casa à qual voltar, pequena mas bem preenchida, que cheira sempre a cozinhados e está continuamente colorida a flores e ervas aromáticas escolhidas a dedo por uma mulher que às vezes não nota que eu chego porque está a cantar na sala ou a desenhar a carvão na janela. Vocês chamam optimismo. A mim, nada me parece mais real.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4539501065757806502?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4539501065757806502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/um-optimismo-realista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4539501065757806502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4539501065757806502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/um-optimismo-realista.html' title='Um optimismo realista'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-7414612216397055000</id><published>2010-01-10T12:00:00.003Z</published><updated>2010-01-10T12:00:02.477Z</updated><title type='text'>Docemente Pussilánime</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Invejo certas línguas por possuírem vocábulos que a nossa não tem. &lt;br /&gt;Os franceses chamam la mer ao mar, os ingleses dizem que alguém faz algo gingerly quando está com muitos cuidados e os alemães arrumaram a partilha de sentimentos por várias pessoas acerca de uma obra de arte na palavra einfuehlung.&lt;br /&gt;A nossa palavra saudade é o melhor exemplo de uma palavra a ser invejada por outras línguas. Comprime vários sentimentos numa só entrada no dicionário e além disso soa bem. Tem um timbre benevolente embora raramente o seja.&lt;br /&gt;Na minha lista de pedidos figurariam simplesmente duas: Docemente e pussilánime.&lt;br /&gt;Docemente, do francês doucement, é a forma mais carinhosa de recomendar gentileza no toque ou no trato que eu conheço. Pedir mais doçura a alguém parece-me mesmo ser o cúmulo da poesia no meio de uma conversa.&lt;br /&gt;Pussilánime, do inglês pussillanimous, fica lá longe do outro lado do espectro da bondade das palavras e quer dizer covarde no sentido de inapto por preguiça ou falta de ânimo. Claro que podia chamar a alguém um covarde preguiçoso mas o tanto que se perdia na tradução era inversamente proporcional ao factor ridículo. Sempre -e infelizmente acontece amiúde- que me cruzasse com alguém da minha idade ou mais novo, sem sonhos ou aspirações, de ombros e olhos caídos, conformado com a carreira e família que não deseja aturar só porque "tem de ser", chamava-lhe pussilánime.&lt;br /&gt;Como não tenho essas palavras acabo por, com outra doçura e outras covardias, espalhar a magia e o inconformismo com os gestos e os olhares, o toque e o perfume das passagens razas pelos cabelos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-7414612216397055000?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/7414612216397055000/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/docemente-pussilanime.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7414612216397055000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7414612216397055000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/docemente-pussilanime.html' title='Docemente Pussilánime'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-7332679033699119492</id><published>2010-01-03T12:00:00.002Z</published><updated>2010-01-03T12:00:01.763Z</updated><title type='text'>Entrevista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na entrevista dizias que este era o teu miradouro preferido de toda a cidade. Fico à espera que passes, de coração à mostra, à procura de um amor que te agarre e que meta mais uma moeda no binóculo da ponta quando o tempo já estiver quase a fechar a objectiva. Estou à espera que passes a correr, nas tuas calças de fato-de-treino e sem música nos ouvidos, na entrevista dizias que gostavas mais dos sons da cidade, das gaivotas e das pessoas, até mesmo dos carros e das discussões nas paragens de autocarros. Gostavas mais disso do que qualquer música, até mesmo da tua, portanto enquanto estiveres a fazer a tua corrida vespertina e parares aqui a observar a tua cidade, com o nariz enterrado no binóculo eu vou aparecer, dizer olá e convidar-te para um café.&lt;br /&gt;Tudo calculado claro levo-te ao café mais perto daqui, um verdadeiro tasco, e lá partilharemos uma fatia de bolo de cenoura, tu a beber uma cerveja eu um café, com os donos a achar que talvez sejas tu mas sem acreditar que és mesmo tu. Talvez na rádio cantes e eles ainda acreditem menos. Talvez te venham pedir uma fotografia para iniciar uma parede de gente famosa que por lá passou. De qualquer das formas eu a levar-te a um café modesto, porque disseste na entrevista que estavas farta dos tipos com quem te davas e que te levavam sempre a restaurantes e cafés caros sem saber que na realidade são os sítios castiços que te conquistam. São as pessoas modestas e desinteressadas que te apelam mais.&lt;br /&gt;Mas passou demasiado tempo e tu sem vires, passou o tempo que tu levarias a passar umas quatro vezes nesse teu circuito de manutenção e passou em mim a esperança de esperar. Guardo o euro que colocaria no binóculo e o dinheiro que daria no café para partilharmos o bolo. Guardo esse dinheiro e vou espetá-lo na baixa, naquele café caro onde o café custa dois euros e uma fatia de bolo, menor até do que aquela que íamos partilhar, é caríssima.&lt;br /&gt;Na próxima entrevista que deres não vás dizer que ainda não encontraste o amor que eu não fico com pena de ti nem te procuro mais. Se fizesses exercício todos os dias, tal como disseste, tinhas-me encontrado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-7332679033699119492?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/7332679033699119492/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/entrevista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7332679033699119492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7332679033699119492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2010/01/entrevista.html' title='Entrevista'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-1144745519010212351</id><published>2009-12-27T12:00:00.002Z</published><updated>2009-12-27T12:00:03.588Z</updated><title type='text'>Década</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não foi fácil passar do ano 2000. Sentir a responsabilidade de passar aquele marco histórico, todo o legado de preocupações e superstições que anunciavam o fim do mundo e depois, numa enorme apoteose de coisa nenhuma nada aconteceu. Fechou-se o século numa noite de chuva normalíssima sem sequer ter o estalo de um foguete.&lt;br /&gt;Mas para quem, como eu, nasceu a meio ou na metade final dos anos oitenta esta noite anónima em que o mundo não acabou haveria de ser o início da vida como ela deve ser.&lt;br /&gt;Esta década foi a que mais nos ensinou. Foi aquela na qual mais choramos e sofremos. Mais amamos e aprendemos. Ao longo destes anos despedimo-nos sem saudade da adolescência e a responsabilidade fria da vida adulta chegou sem aviso. Durante todo esse tempo fomos descobertos e perdidos. Continuamos a estudar ou fomos trabalhar. Temos filhos e uma casa ou então uma dor que não vai embora por mais pessoas que deitemos na cama.&lt;br /&gt;Se calhar até começamos a ter um pouco de saudades da adolescência.&lt;br /&gt;Além disso vamos ter muitas histórias para contar sobre como o mundo mudou durante este tempo em que crescíamos. Nós, que supostamente seríamos uma geração sem causas, vimos terrorismo, guerra, crise, desemprego e tantas outras infelicidades públicas e privadas serem alinhadas para resolução. Nós somos os adultos. Havemos de resolver tudo.&lt;br /&gt;Acima disto tudo, da gente que morreu e não devia e das lágrimas que caíram sobre quem nem conhecíamos fica a memória de uma década em que aprendemos a amar. A bem ou a mal abandonamos as paixões adolescentes e abraçamos o agridoce dos grandes amores adultos. Aqueles que nos marcam de forma como nunca outro antes marcou. Amores que se correrem bem podem demorar várias décadas a saborear ou se correm mal podem levar uma vida inteira a esquecer.&lt;br /&gt;Depois do grande 2000 o mais importante que fiz foi aprender a amar. Foi dar uns abraços, uns beijos, uns passeios e acordar sempre numa cama quente ao lado da pessoa com quem me tinha deitado na noite anterior. Foram os sorrisos e as mãos enlaçadas. Foram as fotografias, as escadas e as calçadas. Os cafés e restaurantes com velas. Os animais a comerem-me da mão.&lt;br /&gt;Foram as saudades de tudo.&lt;br /&gt;Aprendi que só choramos pelas coisas que um dia nos fizeram sorrir e na próxima década, que está ali a chamar-nos, só desejo coleccionar sorrisos que retardem as saudades o tempo suficiente para que a chuva de lágrimas não caia, fria, em cima da fronha da minha almofada, contigo a ver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-1144745519010212351?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/1144745519010212351/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/12/decada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1144745519010212351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1144745519010212351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/12/decada.html' title='Década'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2198796820435011691</id><published>2009-12-20T12:00:00.001Z</published><updated>2009-12-20T12:00:02.076Z</updated><title type='text'>Fala-me em reticências</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tinha ideia que o teu cabelo tinha a espessura de uma mina 0.5 de lapiseira. Tinha isso como certo até te pentear, naquela varanda gótica para o rio, e perceber que era ainda mais fino porque ao desenrolar nos meus dedos parecia até que cortava como papel. &lt;br /&gt;Do lado de lá do rio um palacete com jardim, tudo em ruína. Sabe-se logo que uma casa está para morrer quando do seu jardim consta mais verde selvagem do que o colorido cuidado das flores. &lt;br /&gt;-Um dia monto ali uma escola. Assim um colégio barato que só cobre o necessário. Todos os meses fazia as contas e cobrava o que fosse preciso. Eu ensinava Inglês e recebia 500 euros. Se fosse preciso vivia na torre ali de cima e ia parecer que dava aulas na minha sala. Às vezes tocava-se piano...&lt;br /&gt;e sorrias, como sempre fazias quando acabavas uma frase com reticências. &lt;br /&gt;Eu, que até então me tentava inserir na tua vida lentamente, abri de rompante a porta da tua sala de aulas para te tentar impressionar&lt;br /&gt;-E eu? Posso ser o professor de educação física?&lt;br /&gt;tu com um sorriso contrariado disseste&lt;br /&gt;-Sim claro. &lt;br /&gt;na realidade elogiava-te demasiado e de repente a nossa relação era um teatrinho romântico a tentar estrear numa cidade industrial. Eu o palhaço poeta, tu a filha do patrão emparedada na tua crença de ser impossível um dia seres feliz.&lt;br /&gt;Depois do fim do sonho e da continuação da nossa solidão devias ter continuado a ir ao nosso café. Lembras-te do Senhor Mendes? Cavalheiro à antiga que era mais simpático contigo quando eu não estava? Mesmo depois do fim ele merecia que de vez em quando lá fosses pedir um bolo para levar só porque ele embrulharia o pacote com melhores dobras e um laço de algodão que no final recebia a frase naquela voz a pedir desculpa por existir&lt;br /&gt;-Aqui está menina. Bom proveito e obrigado.&lt;br /&gt;Depois do fim eu continuei a ir lá e tanto eu como ele empedrados com a tua ausência à mesa. No trato frio das transacções e quando peço um lanche como tu sempre pedias ele não mo embrulha com fio&lt;br /&gt;-Um euro e vinte se faz favor, obrigado.&lt;br /&gt;No ar a ausência das tuas reticências fazem com que os pontos finais caiam estatelados no meio das nossas frases. O que fica por dizer é relativo a ti e por isso tanto melhor que fique guardado num vácuo da vergonha e receio.&lt;br /&gt;Esta semana, a faltar tão pouco para o Natal, eu agradeci-lhe em teu nome dizendo que tu lhe mandas cumprimentos. Os olhos a sorrirem, milhões de minutos de rugas absorvidos e a voz naquele tom que ele guardava para ti quando eu não estava&lt;br /&gt;-Desejo um santo Natal a si e à sua menina...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2198796820435011691?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2198796820435011691/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/12/fala-me-em-reticencias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2198796820435011691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2198796820435011691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/12/fala-me-em-reticencias.html' title='Fala-me em reticências'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-9066590385104069014</id><published>2009-12-13T12:00:00.003Z</published><updated>2009-12-13T22:58:25.789Z</updated><title type='text'>Jackpot</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.&lt;br /&gt;Quis Deus, ou sabe-se lá o quê, que o meu maior sonho fosses tu e que tivesse de te conhecer quando já tens obra feita com outra pessoa. Que merda. &lt;br /&gt;A sorte dele é que não me sai o totoloto (sou antiquado, que queres...) para relançar a minha vida. Arranjava dois tipos para o matar de forma aparentemente acidental. Dois gajos caros, nada daqueles ucranianos certinhos que iriam à polícia e me lixavam o esquema, um assalto simulado ou uma ligação do alternador ao depósito de gasolina do carro. Uma coisa simples e eficaz.&lt;br /&gt;Depois aparecia eu, feito psiquiatra amigo conhecido por coincidência, e do meu apoio e amizade surgiria o amor. Um dia até me dirias que grande era o teu arrependimento por não teres esperado por mim. Que o teu marido era bom homem mas não era nem tão divertido nem tão amável como eu. Não te dava o lado direito dos passeios nem te puxava a cadeira nos restaurantes. Tu, no auge da tua frescura e ele que mal te tocava concentrado no trabalho que punha comer na mesa mas que tingia os lençóis de tédio. Depois davas-te a mim, para curar feridas e descobrir o que um velho grisalho (todo eu cinza e preto) tinha para te dar no início da curva descendente da frescura do teu corpo.&lt;br /&gt;Eu a amar-te sempre, mesmo quando estivesses tão feia como a minha vizinha da frente que ainda suspira pelo marido morto em Angola. Eu imortal contigo a suspirar pela minha boa saúde e delicadeza de cavalheiro a causar inveja às amigas que enquanto me ausento da mesa te dizem&lt;br /&gt;-Já não se fazem homens assim, que sorte tu tens&lt;br /&gt;e tu a sorrir orgulhosa e feliz pelo destino te ter posto no meu caminho. Contente por o teu emprego te obrigar a apanhar o meu autocarro todas as manhãs, quando tomaste banho há meia hora e às vezes ainda o cabelo pinga a escorrer pelos ombros a tornar a camisa branca translúcida. &lt;br /&gt;A sorte do teu marido é que não me sai nada. A sorte do teu marido é que tu não prestas atenção a motoristas de autocarro mais velhos, vestidos com a farda regulamentar.&lt;br /&gt;A verdadeira sorte do teu marido é que na cabeça de um tipo com o nono ano, com um coração manchado, só faz sentido roubar a mulher ao seu marido através da morte e do dinheiro. Como nos filmes, esses sonhos em película, que só roçam superficialmente no limiar da imaginação castrando-nos de possibilidades de ser alguém.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-9066590385104069014?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/9066590385104069014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/12/jackpot.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/9066590385104069014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/9066590385104069014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/12/jackpot.html' title='Jackpot'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5392430219368450810</id><published>2009-12-06T12:00:00.002Z</published><updated>2009-12-06T12:00:06.305Z</updated><title type='text'>Verão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;-Eu não preciso disto sabe, tenho filhos que me fazem companhia e ligam quase todos os dias.&lt;br /&gt;Diz-me o excêntrico da estação, não o chamo louco porque chamar louco dá tanto azar como a inveja e ainda acabo como ele. Falta muito pouco para as 6 da madrugada e já o Sr. Jorge observa, sorridente e elegante com o seu blazer aos quadrados e cigarro na boca&lt;br /&gt;-Desde que os espanhóis lançaram estes cigarros mais baratos que posso fumar um maço e meio por dia.&lt;br /&gt;o comboio que sai em direcção à ponte ainda se vê ao longe e Jorge, porque o Sr. o faz mais velho, justifica-se&lt;br /&gt;-Venho cá todos os dias, todo o dia, durante a Primavera e o Verão ver as pessoas a ir e vir. Sabe que nós somos como as aves. Emigramos para sítios mais quentes. No Inverno deixo de vir porque só as pessoas tristes não emigram e ficam aqui a lamber a amargura das bochechas e a comer cigarros. Eu tenho desculpa, sou velho, não tenho ossos para ir agora para o Brasil ou África. Imagina-me a assobiar às catraias com esta idade?&lt;br /&gt;por acaso imagino mas não lho digo, o Jorge tem aquele aspecto de tipo que não morre, um daqueles velhotes que com 90 anos se levanta cedo e toma um banho de água fria só porque acha que isso lhe faz bem, com a ocasional bebedeira e a derreter cigarros como as massagistas derretem tensões.&lt;br /&gt;-Sabe. A minha mulher emigrou, a minha garça, tão bela que ela era. Um dia quando o inverno estava a começar ela foi atrás de uns pássaros que imigravam para sul. Imagina o que era na altura eu namorar com uma mulher da televisão? Ninguém via os programas de animais mas ainda assim eu me gabava de ter casado com uma mulher da televisão. Mas pronto. Ela foi e não voltou, na altura as notícias chegavam tarde e demorei quase meio ano a saber que ela tinha conhecido um ricaço qualquer, dono de um zoo, amor, casamento e um ninho espaçoso e quente todo o ano. Eu fiquei aqui a tomar conta do nosso ninho, ao qual ela não voltou, e às nossas crias que cresceram belas como a mãe e fumadoras como o pai. Ligam-me quase todos os dias, sabia? Desde o casamento que venho cá, ver as pessoas sorrir e chorar. Os comboios que chegam e vão. Não há sitio mais feliz que uma estação de comboios mesmo quando de ambos os lados dos vidros duas pessoas choram. O choro são saudades e só temos saudades das pessoas que regressam um dia. Portanto não chore, vá, deixe-a ir. Fume um comigo e veja lá esta foto do meu mais velho, maquinista do metro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5392430219368450810?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5392430219368450810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/12/verao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5392430219368450810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5392430219368450810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/12/verao.html' title='Verão'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8592290009746618710</id><published>2009-11-29T12:00:00.003Z</published><updated>2009-11-29T12:00:04.363Z</updated><title type='text'>Inverno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A casa não se vende, faz daqui a três dias seis meses que está à venda e para já, da mão cheia de visitas ainda nenhuma deu em sucesso. Casais jovens e felizes inspeccionam as divisões, observam as vistas e testam as lâmpadas. Ficam encantados e julgam que ali é o sítio onde vão fazer toda a vida. Já pensam até num catraio ainda sem nome para ocupar o quarto que transforma o apartamento em T2. Pensam ser aqui o seu local preferido até eu dizer&lt;br /&gt;-O único inconveniente é o frio e a humidade&lt;br /&gt;e o tal casal já a preparar a ronda negocial com um desconto que compense o inconveniente de ter frio e ter de pintar o quarto todos os anos. Então digo&lt;br /&gt;-Estas faixas têm algumas formigas que vêm do soalho da cozinha, cuidado com os pés porque a madeira é muito frágil e parte. Depois ficam com formigas por todo o lado.&lt;br /&gt;Aí o casal já murchou, o bebé vai ter de esperar mais um bocado e partem a dizer que depois dão uma resposta. E nunca mais ligam.&lt;br /&gt;Hoje, lá se vai a minha jogada, tu também vens ajudar na visita, desconfiada de que esta casa tão luminosa e barata não se tenha já vendido por minha culpa. Pensas que eu saboto as visitas e então dizes-me&lt;br /&gt;-Faz de conta que está tudo bem entre nós e que vamos mudar de casa porque me apetece.&lt;br /&gt;E quando te respondo&lt;br /&gt;-Não tenho dificuldade nenhuma em parecer feliz contigo. Isso é-me natural.&lt;br /&gt;tu dizes sem olhar&lt;br /&gt;-Não sejas parvo.&lt;br /&gt;Com o temporal desta noite, neste inverno tardio e irado, a placa que dizia VENDE-SE desapareceu, levantou voo e aterrou num local qualquer.&lt;br /&gt;-Foste tu que tiraste o vende-se?&lt;br /&gt;-Claro que não. Foi o temporal desta noite. Se fosse romântico diria que é um sinal dos céus que ela tenha desaparecido e que alguém nos está a pedir que voltemos a mobilar a casa e ocupar o dois do T2.&lt;br /&gt;e tu, num momento pouco suspenso, a tua resposta fácil e rápida, preparada porque sabes que as minhas técnicas de sedução são todas tão simplórias e previsíveis&lt;br /&gt;-Não sejas parvo.&lt;br /&gt;Ao limpar contigo a casa agora ampla com um vazio claro e anónimo relembro, quando tu e eu, jovens e felizes, passeamos pelos corredores ainda empoeirados de cimento e imaginamos como colorir à mão o quarto da Bia.&lt;br /&gt;Entretanto e por ordem, fomos felizes e amamo-nos, nasceu a Bia como esperado, compramos um gato e um periquito, tu começaste a fumar e a trazer um after shave no cachecol que não era meu e um dia nem tu nem bia nem gato. Ficou na mesinha da entrada um papel de despedida, um impresso para o divórcio e, na varanda, um piriquito que não canta há mais de quatro meses.&lt;br /&gt;A separação de bens prevê a venda do imóvel e só aí o divórcio tem seguimento. Seguirá o divórcio e a tua vida com um gajo que não sei quem é mas cheira bem e não deve ter ideias românticas ou periquitos afónicos. Precisas de um gajo sem drama e poesia para te chatear. Ele fica lá para um canto a cheirar bem e tu a educar a nossa Bia a chamar-lhe pai.&lt;br /&gt;A placa VENDE-SE caiu e lá fora uma chuvada biblica a arrastar caixotes rua abaixo, ainda assim um casal amoroso, tu e eu com menos uns dez anos, encontrou a casa e aparece a preto e branco no video porteiro. Abres a porta do prédio, viras-te para mim, os olhos decididos mas caídos da idade e dizes&lt;br /&gt;-Hoje a casa fica vendida e a nossa vida continua.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8592290009746618710?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8592290009746618710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/inverno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8592290009746618710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8592290009746618710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/inverno.html' title='Inverno'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8689323462178609028</id><published>2009-11-22T12:00:00.002Z</published><updated>2009-11-22T12:00:02.332Z</updated><title type='text'>Primavera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acho que a terra, aqui, secou. Aqui e no meu caminho até ao trabalho. Na terra morta, tal como num esgoto estéril, só sobrevivem as ervas daninhas como se fossem ratazanas quietas movidas a vento e fome. Das nossas árvores, nada, até as heras encontraram melhores troncos para sugar.&lt;br /&gt;Passou já tempo suficiente para árvores e plantas crescerem, na borda daquele caminho que dantes percorrias comigo, e para as frutas dessas árvores e dessas plantas crescerem, amadurecerem e caírem. Mas as coisas são assim mesmo, tivesse tudo corrido de feição, com pouca geada e mais uns tantos dias de sol e já nós tínhamos tempo de sobra para pôr um fruto dentro de ti, deixá-lo crescer e amadurecer e passados nove meses cair de ti minha pequena árvore. Não bastou a paciência para nem mais um dia ou dois, quanto mais para nove meses e agora os sorrisos aparecem-me de semanas em semanas. &lt;br /&gt;Como ia dizendo, passei naquele caminho onde religiosamente distribuíamos os caroços de frutas que comíamos e sementes de flores descartadas pelas floristas, na esperança de que, sei lá, qualquer coisa e no dia seguinte aquilo fosse um pomar com uma estrada no meio onde só cabiam dois pares de pés apertados pelas mãos dadas. O terceiro par podia ir ao colo como uma pêra ou rente ao chão como uma borboleta.&lt;br /&gt;Agora acredita em mim porque o vi, nada cresce na lama. Do nosso caminho tão delicado fizeram um estaleiro de obra. E não, não foi o nosso éden que se tornou num destino turístico que justifica um chalé cuidado, foi sim aquele meio quilómetro de terra que ganhou um preço por metro quadrado e foi vendido às peças, despedaçado e desossado como uma carcaça onde irão um dia surgir moradias espaçosas tão estéreis como o chão que envenenaram e as famílias lá dentro a viver uma vida de flores amarelas, fruta enlatada e pão seco sob uma maldição shakesperiana que os parta todos.&lt;br /&gt;Podias vir comigo lá um dia, levantávamos alguns paralelos da calçada e plantávamos uma mão cheia de pevides de melão e quem sabe, qualquer coisa e no dia seguinte nós os dois a levantar a maldição a uma das moradias com tulipas no jardim, bananas na travessa e uma borboleta rente ao chão com os teus olhos a saltitar no relvado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8689323462178609028?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8689323462178609028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/primavera.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8689323462178609028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8689323462178609028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/primavera.html' title='Primavera'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5570270106568204186</id><published>2009-11-15T12:00:00.004Z</published><updated>2009-11-15T12:00:04.679Z</updated><title type='text'>Outono</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não é fácil ser homem. Viver num Outono permanente. Esta estranha espécie de peso amargo nos ombros. Estes segredos dolentes como o frio inesperado naqueles dias de folhas estaladiças no chão em que a roupa de Verão deixa de agasalhar e proteger.&lt;br /&gt;As mulheres serão de Vénus e os homens de Marte, nem discuto essa teoria, mas sei, com toda a certeza, que os homens são Outono e as mulheres Inverno. A tristeza feminina é frontal e torrencial. Tem uns dias brandos mas depois vêem em conjunto uns tantos dias de tormenta em que só em casa se está a salvo. Os homens não chovem. Há aquele nariz pingado e os pés frios. Há as folhas ora secas e barulhentas ora húmidas e escorregadias no chão. Há a ameaça de mais humidade e mais frio que nunca se confirma.&lt;br /&gt;Os homens têm em si transições tristes, pores do sol com nuvens carregadas e pés revestidos a sapatilhas molhadas pela chuva. Carregamos connosco as saudades de casa, a ver na internet vídeos da nossa cidade com a fé no sinal de banda larga que estreita o contacto com as memórias só um pequeno soluço de cada vez. Andam-nos no corpo as saudades da mulher e dos filhos, namoradas, ex namoradas e amores por cumprir.&lt;br /&gt;Saudades do tempo em que as ruas eram nossas e em vez de terem um nome tinham uma pessoa. Aqueles trajectos aos quais nunca prestamos atenção até que surge a paixão por alguém que mora naquela rua. O nome da rua, o destino da linha e o número do autocarro passa a ser só o nome e a cara dessa pessoa. A angústia disso, do momento em que o nome da rua volta às placas, voltam os revisores do comboio a pedir o bilhete até ao término da linha e os autocarros aos solavancos mal sobem a rua com tanta gente apertada a pesar nas pernas do autocarro.&lt;br /&gt;Os homens andam assim. Cheios de tanto frio e humidade por dentro que os ossos moem como pedaços de madeira a empapar. Andamos todos tão cheios de culpas e pecados, saudades e amores que não percebo como não somos todos um inverno continuo.&lt;br /&gt;Deixem-nos chorar com os dedos na boca, o ranho a escorrer pelos lábios e as palavras a enlamear. Os nossos ombros já agradeciam o descanso e, quem sabe, com essa nossa sinceridade humilde não nasceria um pequeno sol, porque as crianças são estrelas sem planeta e são Verão e Primavera, aquelas estações nas quais todas as chuvas acabam em arco-íris.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5570270106568204186?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5570270106568204186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/outono.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5570270106568204186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5570270106568204186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/outono.html' title='Outono'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4898643813163704844</id><published>2009-11-08T12:00:00.005Z</published><updated>2009-11-08T12:03:58.522Z</updated><title type='text'>Goma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte a estar contigo não sinto a tua falta. Lembro-me de ti só raríssimas vezes e mesmo nessas vens-me à memória porque aquela cicatriz que me fizeste no lábio ainda cá está. Aquela que causamos por estar a brincar com uma goma, tu a morder um lado e eu outro, achaste que a partilha do urso, garrafa ou ovo estrelado -já não me lembro- não era justa e resolveste reclamar mais um pedaço. E nesse dia que me mordeste sangrei a rir sem imaginar que me ias tirar pedaços cada vez maiores de doçura até chegar ao azedume que acabou connosco.&lt;br /&gt;Mas pronto, como estava a dizer, nesses dias seguintes a te ver, mesmo naquela nesga de tempo ao saíres para o café que bebes todos os dias às 17:15 e durante todo o caminho te observo enquanto dói cá dentro a vontade de te acompanhar. Mesmo nessa altura, não sinto a tua falta.&lt;br /&gt;Mas por vezes passam mais dias e aí dou por mim a falar de ti a todos. Como se fosses um filme que ninguém podia perder ou uma música que todos têm de ouvir com urgência. Como se alguém partilhasse da minha paixão inexplicável. Um hobby exclusivo intransmissível.&lt;br /&gt;O que não te disse quando te liguei foi que soube que estava a perder as estribeiras quando te vi numa fatia de fiambre. Fazia já 5 dias que não via os teus passos pequenos e cautelosos a calcar a calçada nesses saltinhos cómicos que dás quando usas saltos. Sabes as pessoas que vêem santos nas sombras e nas manchas de humidade? Lembras-te como tinhas um nome caro para essas coisas que queremos tanto ver que vemos mesmo numa coisa totalmente diferente? Pois isso aconteceu-me contigo e fiambre. Imagina o ridículo.&lt;br /&gt;E eu a olhar para a sande, que como sempre às 17 e a pensar que pronto.&lt;br /&gt;Vá. Já chega.&lt;br /&gt;Quando te liguei só te disse&lt;br /&gt;- Quero que saibas que vou mudar de emprego. Apareceu uma oportunidade e vou agarrá-la. Só tu me mantinhas aqui e pronto. Passou sabes... Se precisares de mim diz mas eu já não preciso de ti.&lt;br /&gt;e tu, numa confusão de criança abandonada por um animal doméstico que julgamos vinculado por uma trela emocional que previne fugas&lt;br /&gt;- Tem calma. Vais para onde? Eu ia-te ligar para irmos jantar. Resumir as coisas. Sei lá... ver se podíamos reatar o que ficou por resolver (sempre foste tão dramática a falar)&lt;br /&gt;- Minha goma. Vai tudo ficar bem. Faltam-te 10 minutos para o café das dezassete e quinze. A única diferença é não teres ninguém a ver-te da janela. Atravessa sempre na passadeira e tem cuidado porque já não tomo conta de ti. Mas acredita. Se eu estou bem tu também vais ficar.&lt;br /&gt;Choras e não entendo o que dizes. Quem chora tem menos doçura e talvez por isso tanta dificuldade tive, após ter chegado ao destino, a encontrar o local certo da minha cicatriz. Ao sorrir a cicatriz desaparece e a doçura volta.&lt;br /&gt;Logo a mim, que antes de vir embora me precavi com um quilo de doçarias sortidas para as quais agora não tenho destino nem necessidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4898643813163704844?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4898643813163704844/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/goma.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4898643813163704844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4898643813163704844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/goma.html' title='Goma'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5143182023860878205</id><published>2009-11-01T12:00:00.007Z</published><updated>2009-11-01T12:00:03.128Z</updated><title type='text'>Três em cinco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Futebol. Em campo quatro cheerleaders, nos momentos que antecedem o jogo esperado, a fazer publicidade a uma marca qualquer. Urros e assobios. Sintomas da finda tradição masculina do futebol, um rasgo de liberdade num local que, felizmente, se democratizou e embelezou com aquelas que dantes ficavam em casa ou no carro a tricotar.&lt;br /&gt;Ao meu lado um senhor mais velho, companheiro de lugar já há uns anos e de quem, ainda assim, nada sei além do nome, que gosta de casacos de couro e aperta com força a mão ao chegar, exclama desalentado&lt;br /&gt;- Só uma delas vale mais do que nós todos juntos&lt;br /&gt;isto dito de forma triste como se de repente descobrisse que estava orfão, tinha falido e a mulher o tinha deixado por isso mesmo.&lt;br /&gt;Eu a pensar na tal fatal frase, porque temos de ser humildes perante pessoas mais velhas, e em que medida ela se aplicaria a mim e à minha experiência de pessoa com idade para ser filho dele.&lt;br /&gt;Descubro que a estatística e a memória não me deixam ficar mal. Três em cinco é a conta. Das cinco mulheres que conheci, três não merecia e, lá está, fiquei orfão, fali e elas perceberam que temos sempre de procurar pessoas que não merecemos e que nos melhorem por comparação e aprendizagem.&lt;br /&gt;Com a primeira aprendi quantos centímetros de pele escondidos as mulheres têm ao tomar banho (não lhe merecia o corpo), com a segunda aprendi que também o cabelo é erógeno e ainda que os olhos podem chorar ao fim de um beijo (não lhe merecia a leveza) e com a terceira aprendi o segredo -que não partilho- da escolha das maçãs verdes mais doces, da importância dos abraços como expressão pura de carinho e amor e ainda como é possível sorrir com o olhar mesmo tendo os olhos fechados (a esta não lhe merecia o corpo, nem a leveza, nem a magia).&lt;br /&gt;Assim vai sendo o tempo, no estádio exultaram mais algum tempo com o corpo das dançarinas que não merecemos enquanto na minha cabeça ainda exultava em solidão, com a memória dos banhos aromáticos, das danças de cabelos embrenhados e dos abraços de corpo inteiro a sorrir de olhos fechados. Assim vai a luta pelo merecimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5143182023860878205?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5143182023860878205/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/tres-em-cinco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5143182023860878205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5143182023860878205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/11/tres-em-cinco.html' title='Três em cinco'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4909952880605800576</id><published>2009-10-25T12:00:00.005Z</published><updated>2009-10-25T12:00:01.174Z</updated><title type='text'>Naturalmente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As coisas que fazemos bem sabemos como as fazer sem olhar. Fazemos-las até mesmo sem pensar nisso. Não pensamos em respirar, deixar bater o coração ou até em andar. Queremos que algo aconteça e ele aparece feito.&lt;br /&gt;Pergunta a um pianista ou guitarrista se pensam que têm de atingir a nota tal que está na pauta para o fazer acontecer. Eles dirão que não, no início talvez mas agora já é automático e fácil. Tal como respirar. &lt;br /&gt;Para mim é automático encontrar as teclas correctas do computador e conduzir. Essas coisas acontecem dentro daquela zona do meu cérebro que guarda as tarefas repetitivas e que vão sendo refinadas. Claro que também automático em mim é amar-te. &lt;br /&gt;Acontece porque sim e sem pensar. Sem sequer pensar para onde direccionar o coração ele virou-se sozinho para o teu sentido e por lá segue, sem se arrepender da estrada percorrida e sem sequer consultar mapas, placas ou GPS's.&lt;br /&gt;E como é automático, como é tão meu como respirar, sou muito bom nisso. Sei como te tratar e o que fazer para sorrires. Com naturalidade, como se viesses com livro de instruções e seguisse sempre o capítulo mágico que aborda o que fazer quando tudo o resto falha. Aquelas soluções incríveis que tudo resolvem. Que tornam tudo estupidamente fácil e que põem o resto dos mortais a perguntar&lt;br /&gt;- Como fizeste isso?&lt;br /&gt;e eu a sorrir com a naturalidade com que negoceio o difícil estacionamento na tua rua.&lt;br /&gt;Toco-te como nas teclas do computador e guio-te como nas estradas à noite e à chuva. Respiro-te.&lt;br /&gt;Amo-te.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4909952880605800576?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4909952880605800576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/10/naturalmente.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4909952880605800576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4909952880605800576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/10/naturalmente.html' title='Naturalmente'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8650299808488819588</id><published>2009-10-18T12:00:00.000+01:00</published><updated>2009-10-18T12:00:01.713+01:00</updated><title type='text'>A quem tudo se perdoa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há pouco tempo, em discussão salutar com uma amiga, dizia-lhe que se Deus existe como bóia de salvação da gente desesperada (e ainda ontem foi dia mundial da depressão) também acreditava em Deus porque assim é uma ideia auxiliadora e não uma entidade salvadora. Ideia essa de que não preciso mas à qual reconheço utilidade.&lt;br /&gt;Se há na terra mostras de divindade será naqueles objectos ou pessoas que nos causam o&lt;span style="font-style:italic;"&gt; Stendhal Effect&lt;/span&gt;. Este efeito foi relatado pelo escritor francês Stendhal aquando da sua visita a Florença e durante a qual o mesmo sentiu aceleração do batimento cardíaco, tonturas e até alucinações quando estava perante uma peça de arte de excepcional beleza ou uma grande quantidade de obras num só local. Desde o início do século XIX, quando em 1817 a descrição apareceu num livro de Stendhal, até aos finais do século XX (em 1982 foi reportado o primeiro caso oficial) milhares de casos surgiram. Entretanto também Paris foi associada a este fenómeno por causar os mesmos sintomas no Louvre e nos monumentos emblemáticos.&lt;br /&gt;É aqui que vejo o paralelo com aparições religiosas.&lt;br /&gt;Alucinações relacionadas com um sentimento que não compreendemos de onde vem, geralmente provocado por uma peça de arte que não sabemos descrever são o de mais religioso podemos experienciar. É fé que vem de dentro.&lt;br /&gt;E a gente é mastigada pelos deuses e vigarizada por falsos profetas e mesmo assim continua a construir-lhes obeliscos e menires de formas e valências diferentes. Mesmo assim perdoa as falhas justificando com as suas próprias que supostamente justificam o castigo deles. Aos deuses tudo se perdoa.&lt;br /&gt;De volta aos artistas, os meus únicos deuses porque já Nietzsche dizia só conceber acreditar num Deus que dançasse, são eles que movimentam paixões e fanatismos semi-religiosos. Só eles têm a capacidade de nos deixar ficar mal e/ou cair em desgraça e nós ali a perdoar e acreditar. A defender perante quem ataca a legitimidade da devoção.&lt;br /&gt;Também os artistas parecem ter características mártires de cristos. Penso de imediato em Maradona, Chet Baker, Elis Regina e uns tantos pintores envenenados pelo chumbo das tintas dos pincéis que afiavam com os lábios. Gente danificada pela sua arte e que agora serve de estudo de caso para que os artistas actuais, coitados, não danificados pela arte mas pela sua asfixiante falta de talento, justifiquem as depressõezinhas e demais doidois mentais.&lt;br /&gt;No filme "Maradona by Kusturica" o Deus dos relvados questiona para o ar o que teria sido dele não tivesse havido a cocaína. &lt;br /&gt;Eu respondo.&lt;br /&gt;Teria sido o mesmo. Mas acrescia ao conhecimento mundial informal de ter sido o melhor jogador de todos os tempos o reconhecimento formal das instituições em vez do simpático e bem comportado Pelé.&lt;br /&gt;E um Deus é isto. Falha por sistema mas é adorado e ouvido com atenção. Um magnetismo que move tantas montanhas como milhares de pessoas de joelhos numa catedral. Como traças a ver a luz lá vamos nós embater com o nariz no vidro.&lt;br /&gt;Esta semana Maradona disse relativamente aos seus críticos, pedindo desculpa às senhoras presentes na sala, que "a" chupem e que "a" sigam chupando. &lt;br /&gt;Aos Deuses tudo se perdoa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8650299808488819588?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8650299808488819588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/10/quem-tudo-se-perdoa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8650299808488819588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8650299808488819588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/10/quem-tudo-se-perdoa.html' title='A quem tudo se perdoa'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5788082222711909548</id><published>2009-10-11T12:00:00.006+01:00</published><updated>2009-10-11T12:00:02.674+01:00</updated><title type='text'>O Mecânico Constante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os tradutores enganam-se muitas vezes. Coitados. Tenho genuína estima e pena por eles que andam consumidos de lado para lado a ganhar úlceras nervosas e hérnias de esforço à procura de tradução para uma frase que em inglês soa tão bem mas em português não sabe a nada.&lt;br /&gt;Assim aconteceu com o filme &lt;span style="font-style:italic;"&gt;The Constant Gardener&lt;/span&gt; traduzido para português como O Fiel Jardineiro. A confusão foi que o tradutor viu o filme e achou que o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;leitmotiv&lt;/span&gt; (olha cá está uma palavra intraduzível) era a fidelidade de um homem em ir até ao fundo de uma questão pela honra da memória da sua amada. Confusão normal e compreensível mas, na minha humilde opinião, errada.&lt;br /&gt;O elemento central do filme é o fascínio e devoção masculina pela manutenção. A forma como este "jardineiro" paciente se rodeia das suas plantas e trata delas tem tanto de devotamente religioso como uma peregrinação.&lt;br /&gt;Qualquer homem poderá testemunhar da alegria que é tomar conta das suas coisas. Há quase tanto prazer no mudar o óleo do motor ou as pastilhas de travão de um carro como conduzi-lo. Só dessa forma sabemos que não andamos a ser enganados por um placebo que alguém disfarçou e nos impingiu.&lt;br /&gt;Somos assim nós homens quando as nossas ninfas privadas surgem depois do banho, ainda dentro de toalhas do tamanho de casulos gigantescos, e nos pedem que espalhemos um creme hidratante ou façamos uma massagem naquele sítio qualquer que doi. Há muito de egoísta nisto porque não só estamos a cuidar do que amamos usufruir como usufruimos durante o cuidado. Nós que tantas vezes temos vontade de parar enquanto as amamos só para ver, assim um intervalo contemplativo para absorver a beleza inatingível de cada suavidade feminina, e não podemos, com medo de sermos ridículos ao ponto de mais tarde entre as amigas haver o desabafo dessa coisa estranha que fizemos numa noite que foi parar a contemplar a estátua viva que ali amávamos.&lt;br /&gt;Ainda no Fiel Jardineiro há o agradecimento da personagem masculina à feminina pela maravilhosa dádiva de esta ter feito amor com ele. Raios, nós somos tão ridículos...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5788082222711909548?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5788082222711909548/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/10/o-mecanico-constante.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5788082222711909548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5788082222711909548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/10/o-mecanico-constante.html' title='O Mecânico Constante'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-7543171153948747035</id><published>2009-10-04T12:00:00.003+01:00</published><updated>2009-10-04T12:00:03.089+01:00</updated><title type='text'>Faz-me lá a vontade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não te preocupes com a água salgada das lágrimas amor. Não vai ser a falta delas que te vai fazer desidratar nem o sal enlouquecer. Deixa-as cair e não as limpes; hidratam o rosto e dão-lhe um brilho fugaz como a luz do luar sobre uma janela. Se quiseres bebe-as, tal como te disse não te enlouquecem como aos náufragos que por cada golada de água do mar se sentem ainda mais sedentos. Sabes, percebi já há uns anos que as lágrimas só são amargas se a mágoa que a pessoa deixa for maior do que a doçura que foi espalhando. Podemos estar descansados não achas?&lt;br /&gt;Vá, deixa que as lágrimas corram, não as aguentes que os olhos incham e ardem, ficam vermelhos e toda a gente sabe que tentaste não chorar e não conseguiste. O mundo não acaba hoje acredita. Vamos sempre ter os nossos passeios e cozinhados. Vamos conseguir lembrar sempre a quantidade de açúcar que cada um gostava no café e quanto queijo gostávamos ambos no esparguete. Vamos poder ouvir os nossos tangos, cada um em sua casa, com nova pista de dança improvisada e quiçá um novo par para ambos, à frente do aquecedor amarelecido de incandescência sem uma única lágrima.&lt;br /&gt;Não chores amor que eu vou sempre lembrar como estava o teu cabelo da última vez e reparar que o tens diferente. Lembrarei sempre também os vestidos que o teu guarda-vestidos guarda e dizer-te como é bonito e te cai bem o cinza curto que um dia vais ganhar coragem de comprar e vestir.&lt;br /&gt;Pronto, está bem, chora lá um bocadinho vá. As lágrimas não são más como as pessoas as julgam. Entala a voz numa dúzia delas. Se não por mais nada, pelo menos, para te livrares da dor que te deixo ao partir.&lt;br /&gt;Sei lá... Chora para me mostrar que te custa eu virar costas. Chora por favor. Uma lágrima triste que cai ao chão e seca à frente do aquecedor.&lt;br /&gt;Caramba.&lt;br /&gt;Chora, diz que me queres e que podíamos tentar de novo porque só assim eu sei que há doçura entre nós e que não estavas ansiosa pela minha partida. Eu parto na mesma claro mas ainda assim gostava de saber que tenho lugar na tua vida.&lt;br /&gt;Pronto não chores, tudo bem.&lt;br /&gt;Eu pego na minha tralha, despeço-me do canário que compramos juntos e que não canta para não se despedir de mim. Pego em mim e trago-me para fora de tua casa e tu podes fechar a porta com a naturalidade de quem julga que volto no dia seguinte.&lt;br /&gt;Mas não volto e fico a pensar a partir de que distância a madeira da tua porta consegue isolar o som do meu choro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-7543171153948747035?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/7543171153948747035/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/10/faz-me-la-vontade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7543171153948747035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7543171153948747035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/10/faz-me-la-vontade.html' title='Faz-me lá a vontade'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-515924458917702329</id><published>2009-09-27T12:00:00.001+01:00</published><updated>2009-09-27T12:00:01.014+01:00</updated><title type='text'>Olá</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Num mundo perfeito (pasmam-me as vezes que começo frases assim) eramos todos familiares ou amigos. Entravamos num café e sentavamos-nos numa mesa a tomar um copo com uma total estranha que, neste mundo perfeito, não era estranha durante muito mais tempo. Ficavamos ali a ouvir as coisas aborrecidas que a tornam uma pessoa interessant. As doenças do pai e da mãe, os amores e desamores, o que faz para ganhar a vida. Se gosta do que faz... &lt;br /&gt;Nesse mundo perfeito um homem poderia ser simpático para uma mulher. Poderia também abordá-la na rua e dizer&lt;br /&gt;- Que belo cabelo tu tens.&lt;br /&gt;sem que a tal moça do belo cabelo achasse que eramos uns pervertidos que na realidade estavamos a elogiar-lhe as mamas. No tal mundo, os autocarros eram reuniões de familia onde todas as pessoas ouviam e falavam como se se conhecessem há anos. &lt;br /&gt;Nesse mundo, em vez de te sentares lá ao fundo do comboio com os teus phones a debitar metal como um repelente de insectos anti-conversa esperavas-me com um sorriso e contavas-me o que ias fazer e o que tinhas feito para continuares a ser a pessoa mais incrivel que conheço. E lá ficaria eu fascinado e apaixonado e ficavamos, talvez, felizes para sempre.&lt;br /&gt;Mas em vez disso vivemos neste mundo fechado em que todos caminhamos como hamsters dentro de uma bola de plástico translúcido. Podemos ver outras pessoas, podemos deseja-las mas estamos proibidos de comunicar e tocar nessas pessoas que têm a sua própria bola protectora.&lt;br /&gt;Num mundo perfeito (cá está, mais uma frase começada assim) todos nos tratavamos por tu e eu já te tinha dito&lt;br /&gt;- Que bela pele tu tens&lt;br /&gt;sem que tu estranhasses a ousadia e interpretasses erradamente o meu fascínio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-515924458917702329?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/515924458917702329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/09/ola.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/515924458917702329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/515924458917702329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/09/ola.html' title='Olá'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5089985610893307917</id><published>2009-09-20T12:00:00.002+01:00</published><updated>2009-09-20T12:00:02.921+01:00</updated><title type='text'>Lá em casa nada igual</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No dia em que nos conhecemos não estava assim quente. Chovia e havia acidentes na rua. Como hoje está calor e o trânsito flui eu nem me lembro que faz hoje três anos que nos conhecemos. Também se torna cada vez mais difícil lembrar como os teus olhos eram amarelos (e tu achavas uma parvoíce não encontrar uma cor melhor para os descrever) ao sol. Um amarelo escuro com rasgos acastanhados e uma mancha verde. Em tempo mais sombrio os teus olhos eram verdes com a mancha azulada. Sim... Cada vez é mais difícil lembrar com exactidão. Lembro que odiava quando dizias asneiras mas também odiava tabaco e adorava a forma como tu fumavas portanto vai-se a ver e até adorava a tua forma de dizer asneiras.&lt;br /&gt;Quase que entra o Outono mas a tal chuva que caía no dia em que nos conhecemos hoje fica lá em cima. Não lá em cima porque lá em cima não há moradias de gotas. Céu limpo e as gotas estão aglomeradas todas, penso eu que bastante apertadas, num campo de refugiados de gotas a norte sul este oeste daqui. Aqui chuva nenhuma. Nem do céu nem minha que agora com as rugas que me rasgam a cara não convém facilitar e deixar que mais água as eroda como uma falésia que dura com a dureza que se dissolve na paciente suavidade da água.&lt;br /&gt;No dia em que nos conhecemos, lembro agora, chegaste a horas e eu a dizer&lt;br /&gt;- Foste pontual&lt;br /&gt;Tu a responder ainda envergonhada&lt;br /&gt;- Eu chego sempre a horas&lt;br /&gt;Agora sei que é mentira. Há mais de ano e meio que marco encontros e tu não apareces. Mando-te mensagens, ligo-te e nem uma resposta que confirme ou desminta que vens. Agora eu aqui agarrado a memórias que já nem sei se lembro bem e a uma ruga no olho esquerdo que juro por mim e por ti que não estava lá antes de teres desaparecido. Naquela manhã em que a cama vazia se transformou numa casa em que ao chegar nem um cheirinho de esparguete, nem um som de televisor, nem nos dias bons um corpo nu à minha espera. Nada. Uns lençois vazios que foram perdendo o teu cheiro tal como a casa foi perdendo o teu cheiro, o teu som, a cor dos teus olhos e a sombra do teu corpo envernizado nos espelhos do corredor. Na cozinha a cafeteira onde ainda faço café à tua maneira mas nunca sai à tua maneira.&lt;br /&gt;Hoje não chove como chovia e os carros não batem. Os condutores não discutem. Que desculpa tens para demorar tanto a vir num dia de sol assim e no qual até podias dizer&lt;br /&gt;- Foda-se vou fumar um cigarro&lt;br /&gt;que eu ficava aqui fulminado de devoção a observar enquanto me aliviavas a ruga do olho esquerdo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5089985610893307917?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5089985610893307917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/09/la-em-casa-nada-igual.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5089985610893307917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5089985610893307917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/09/la-em-casa-nada-igual.html' title='Lá em casa nada igual'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8201321755058552831</id><published>2009-09-13T12:00:00.003+01:00</published><updated>2009-09-13T12:00:00.996+01:00</updated><title type='text'>A face que enviou mil navios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Certa noite sonhei que ela adormecia ao meu lado, no carro, numa qualquer viagem. Por intermédio das curvas ou necessidades de conforto toda a face dela estava virada para o exterior, no sonho dela, a ver fosse o que fosse.&lt;br /&gt;Um sonho dela dentro do meu sonho.&lt;br /&gt;Iamos a caminho de qualquer sítio feliz, disso tenho a certeza. Embora não saiba quem ela era sei que no sonho era a minha mulher, casados ou não nem interessa, ela minha mulher e eu homem dela, assim com posse e segurança e submissão insegura. Durante todo o sonho, que nunca deixou de ser um sonho, eu só lhe via a parte de trás da orelha, o cabelo no ombro adormecido como ela e o pescoço relaxado. Tudo do lado esquerdo.&lt;br /&gt;Não a tentei virar, não tentei ver quem ela era. A paz raramente necessita de feições.&lt;br /&gt;Passei anos a pensar nesse sonho, associei-o à magia das viagens com os meus pais e ao enorme desejo que tinha de conduzir e amar. Conduzir carros amar mulheres. Por esta ordem.&lt;br /&gt;Um dia, enquanto conduzia uma delas no regresso a casa, uma pergunta não regressou com resposta. Ficou ali suspensa entre o barulho do motor e o ritmo suave da música. Pensei em dezenas de razões para ela não me ter respondido. Conduzi quilómetros até que me ocorreu questionar se ela tinha ouvido. Ainda por cima era uma pergunta banal e sem gravidade. Não havia razão para não me responder.&lt;br /&gt;Ao olhar na direcção dela. A resposta. &lt;br /&gt;Ela dormia. Um sono leve, interrompível com o mínimo solavanco. Ao contrário da mulher do sonho eu via-lhe a cara e fiz questão de lhe dizer, quando chegamos e ela acordou com a quietude do carro (bela estranheza esta de termos medo de acordar alguém com um solavanco mas conseguir que ela desperte ao ausentar os movimentos), que ar engraçado ela tem quando dorme. Perder o sorriso e ficar séria não é nada o estilo dela. Ao dormir, as suas bochechas caem como se o sorriso dela fosse a gravidade zero de toda a face, anulada pelo adormecer do resto do corpo.&lt;br /&gt;Ela sorri. Beija-me.&lt;br /&gt;E eu lá sem inspeccionar a orelha ou o cabelo rabiscado pelo ombro que tapa o pescoço que fica também por comparar. Eu só a inspeccionar o olhar dela e as bochechas, já na lua ou submersas com o sorriso que ela abre, a elevar toda a cara. Cara que, na do sonho, nem conhecia.&lt;br /&gt;A paz às vezes tem face e não há sonho mais pacífico que aquele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8201321755058552831?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8201321755058552831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/09/face-que-enviou-mil-navios.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8201321755058552831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8201321755058552831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/09/face-que-enviou-mil-navios.html' title='A face que enviou mil navios'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2019734018035183142</id><published>2009-09-06T12:00:00.002+01:00</published><updated>2009-09-06T12:25:20.509+01:00</updated><title type='text'>Tenho-te</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os ingleses têm uma expressão que explica bem o sentimento de vigília por alguém.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"I got you"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Somos responsáveis pelas pessoas que fazem parte da nossa vida, quer nos devam alguma coisa ou não. Quando se diz&lt;br /&gt;- Fico-te a dever uma&lt;br /&gt;nem sempre se contrai uma dívida. Muitas vezes é só o peso mental ou talvez moral de ter um vinculo entre duas pessoas. E duas pessoas ligarem-se, num mundo tão grande e populoso, não pode ser vulgarizado.&lt;br /&gt;No Principezinho a raposa ensina ao pequeno protagonista o que é cativar e a responsabilidade para a vida inteira que temos pelas pessoas que cativamos. Assim como se fosse (e é) uma das coisas básicas que todas as crianças têm de aprender antes de crescer.&lt;br /&gt;Costumo avisar, numa despedida, que comigo as pessoas não têm nada que agradecer e dispõem sempre. Uns agradecem-me a achar que estou a dizer aquilo por conveniência, outros, os que me conhecem não agradecem, piscam o olho ou sorriem como que a dizer&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;É bom tomar conta de vós...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2019734018035183142?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2019734018035183142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/09/tenho-te.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2019734018035183142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2019734018035183142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/09/tenho-te.html' title='Tenho-te'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-8403701848337713070</id><published>2009-08-30T12:00:00.006+01:00</published><updated>2009-08-30T12:00:03.363+01:00</updated><title type='text'>Azul</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Obviamente que te procurei. No dia em que pensei escrever isto, no dia em que comecei a escrever, no dia em que rasguei a folha, nos três dias seguintes e também hoje, o dia em que finalmente reescrevo tudo.&lt;br /&gt;Sim, procurei-te. Por baixo das mesas a ver se os sapatos verde sapo estavam cruzados. Procurei também por cima das divisórias das mesas na esperança que de lá emergisse a tua profunda e agitada cabeleira castanha, interrompida de madeixas azuis e daquela borboleta vítrea com que apanhas o cabelo. Andei a cheirar o ar de olhos fechados a ver, perdão, a sentir se apanhava o rasto daquele aroma que só tu tens e que enche onde tu estás.&lt;br /&gt;E nada. Nem tu, nem sapatos, nem borboletas, nem perfume. Tu foste e eu aqui, ridículo e perdido. Eu que sempre disse&lt;br /&gt;- Olha que eu não sou como os outros homens&lt;br /&gt;e afinal sou. Ridículo e perdido e desesperado por teres partido do nosso local e não estares em nenhum dos meus ou teus.&lt;br /&gt;E não era que as sombras não respondessem às ordens da tua anca nua ou tapada com aquele vestido azul caneta bic que ia tão bem com os teus joelhos. A luz a enevoar-se vergada nas curvaturas do teu doce planeta. Aqui rosado pele ou azul caneta bic, ali cinza sombreado.&lt;br /&gt;Também não era que a tua voz não me agradasse, nem o teu olhar vítreo como a borboleta, se a borboleta fosse azul como é o teu olhar, me desagradou alguma vez.&lt;br /&gt;Sei lá o que era que me fazia dizer&lt;br /&gt;- Olha que eu não sou como os outros homens&lt;br /&gt;quando não tinha mais argumentos.&lt;br /&gt;No dia em que foste, com os teus joelhos, ombros e sapatos verde sapo no meio de mais uma discussão, a única que não acabou em perfumes misturados na cama ou sofá e vestido azul caneta bic no chão perguntaste-me, com calma mas sem tempo a perder&lt;br /&gt;- Está bem, já percebi que não és como os outros homens. Mas afinal és melhor ou pior?&lt;br /&gt;eu de boca aberta em pasmo. Sempre me bastou, contigo e com as outras antes de ti, dizer que era diferente dos outros e pronto. Vocês agradecidas por eu fazer esse favor de ser vosso e a conversa acabava ali e recomeçava numa outra direcção.&lt;br /&gt;Fiquei sem responder e tu ficaste sem ficar e foste para um sítio que não é este nem nenhum dos outros por onde já passei à tua procura. Em casa ainda está o vestido azul caneta bic arrumado no teu lado do armário e o perfume meio gasto no teu lado da cómoda no caso de regressares e quereres deitar o vestido ao chão e misturar os nossos perfumes na cama ou no sofá só mais uma vez.&lt;br /&gt;Não sabias dizer, antes que me faltasses tanto, que não eras uma mulher igual às outras?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-8403701848337713070?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/8403701848337713070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/azul.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8403701848337713070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/8403701848337713070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/azul.html' title='Azul'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-7632184532095375200</id><published>2009-08-23T12:00:00.003+01:00</published><updated>2009-08-23T12:00:01.812+01:00</updated><title type='text'>Asas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há um momento antes da partida em que não somos nós. Somos outro qualquer sem história ou herança. Somos uma tábua rasa como um bebé acabado de nascer. &lt;br /&gt;Depois um tiro ou uma voz&lt;br /&gt;- Vai!&lt;br /&gt;e voltamos a ser o que somos. O treino que nos levou até ali. A dor sem a qual não chega o ganho. A história do esforço e a herança de um corpo bom.&lt;br /&gt;O medo que o corpo rompa.&lt;br /&gt;E é rápido, muito rápido, que nos movemos, um grande passo de cada vez de forma que correr já não é equivalente a andar rápido mas sim a voar raso. Um toque esguio de cada vez como uma garça ou cegonha em descolagem de um lago. As vozes na cabeça&lt;br /&gt;- Dói-me a coxa&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;- Da última vez ia mais equilibrado&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;- Já perdi tudo só na partida&lt;br /&gt;o descrédito e o joelho que só com injecções curou a última das tentativas de bater o recorde. O pé que tocou no chão mais do que devia.&lt;br /&gt;A voz do primeiro treinador&lt;br /&gt;- O pé não toca no chão. Só os dedos. Só os dedos!&lt;br /&gt;Não há gravidade alguma. Não há piscina que transmita tanta leveza como correr. Correr com o corpo todo. Levantar as pernas o mais possível e castigar o chão por nos querer prender. Empurrar os braços como um boxeur para a frente e para cima a cortar o ar. A cara deformada do esforço e da deslocação da massa corporal. O coração que quer correr mais que nós.&lt;br /&gt;Não sei como é com os pássaros mas com o Homem são as pernas que lhe dão asas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-7632184532095375200?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/7632184532095375200/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/asas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7632184532095375200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7632184532095375200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/asas.html' title='Asas'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-6692693499805013759</id><published>2009-08-17T12:00:00.000+01:00</published><updated>2009-08-17T12:06:48.165+01:00</updated><title type='text'>Sangue novo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Faz parte da condição humana necessitar de novidade. Por isso mudamos de casa, carro, destinos de férias, estilo de vestir, música no mp3...&lt;br /&gt;É também por isso que há um especial prazer nas novas pessoas que nos aparecem. Os velhos amigos, por mais que os adoremos, lidam mal com a nossa mudança porque durante anos fomos os mesmos. &lt;br /&gt;O amigalhaço dos jogos de computador ou o amigo feio que ouvia as queixas de corações partidos por tipos giros. Quando damos a volta por cima e nos tornamos nós próprios, por exemplo, em involuntários quebra corações, as pessoas que nos conheciam deixam de nos acompanhar.&lt;br /&gt;Não é que desapareçam mas ficam presos à imagem que durante anos foi a nossa.&lt;br /&gt;É essa a alegria do sangue novo que nos é injectado pelas pessoas que de súbito pedem para entrar na nossa vida.&lt;br /&gt;Essa vontade de aprender sobre nós, sem nenhuma ideia pré-concebida, é lisonjeira e benéfica.&lt;br /&gt;O curioso é que a necessidade de partilhar essa novidade que uma nova pessoa entrou na nossa vida chama pelas pessoas velhas. Só elas têm paciência para ouvir e aconselhar sabiamente.&lt;br /&gt;Muitas vezes enciumadas ou admiradas da pessoa em que nos tornamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-6692693499805013759?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/6692693499805013759/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/sangue-novo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6692693499805013759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6692693499805013759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/sangue-novo.html' title='Sangue novo'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-6818681569189498434</id><published>2009-08-09T12:00:00.002+01:00</published><updated>2009-08-09T12:00:01.532+01:00</updated><title type='text'>Um dia morro de vez</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta semana discutia com uma colega de trabalho como acho que a crença na alma indestrutível não passa de medo de morrer. Medo do final mais redutor. De num segundo haver e no outro não.&lt;br /&gt;Ela não concordou... Não só acredita na alma como não vê a morte como o fim. Eu aceitei porque nem ela ia passar a ser do meu clube nem eu ia ser seduzido pelo dela.&lt;br /&gt;De facto penso que a morte é um fim. Como se tivéssemos uma ligação à electricidade e ela deixasse de chegar ao fio. Alguém a dizer&lt;br /&gt;- É geral &lt;br /&gt;em vez de &lt;br /&gt;- Foi só o fusível do corredor&lt;br /&gt;E olho assim para a vida com a certeza que ela acabará e pronto, sem a angústia que, por exemplo, a Amália tinha quando dizia em privado que não percebia a piada de viver se se tinha de morrer. &lt;br /&gt;Eu não quero morrer, note-se, não para já, mas aceito que num dia mais curto do que os outros me vou de vez. Deixo algumas coisas feitas que, como toda a gente, em tantas voltas que o planeta dará se vão apagar de importância, memória e registo.&lt;br /&gt;Quando todos os meus familiares, amigos e amores me acompanharem em morte há aquele pedaço de memória que guardavam de mim que acaba.&lt;br /&gt;E isso não me preocupa nem um bocadinho.&lt;br /&gt;Há aquele triptico de objectivos que alguém disse ser a condição &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sine qua non&lt;/span&gt; para uma existência útil no planeta.&lt;br /&gt;Ter um filho&lt;br /&gt;Plantar uma árvore&lt;br /&gt;Escrever um livro&lt;br /&gt;Ainda não cumpri nenhuma das três portanto morrer agora era um desperdício. Para mim e para o mundo. Mas já sei como é que se fazem filhos e como é divertido ir treinando o lado recreativo da coisa antes que o apelo do lado reprodutivo chegue, ainda não plantei uma árvore mas já ofereci algumas plantas que, por terem sido dadas com carinho, floresceram mesmo depois de terem perdido a ligação à terra.&lt;br /&gt;Livro? Não. Ainda não escrevi um livro. Mas já escrevi algumas cartas em papel e à mão que, todas juntas, chegavam para uma antologia de mim e delas, as que receberam as cartas.&lt;br /&gt;Somos energia e moléculas, peças que agregadas fazem a força que nos move. Ao morrer a energia acaba e as moléculas separam-se.&lt;br /&gt;E o paraíso é o que fizemos da terra enquanto cá andamos, durante o tempo que estivemos a agir sobre a energia e as moléculas dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-6818681569189498434?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/6818681569189498434/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/um-dia-morro-de-vez.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6818681569189498434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6818681569189498434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/um-dia-morro-de-vez.html' title='Um dia morro de vez'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-6817711129216061465</id><published>2009-08-02T12:00:00.004+01:00</published><updated>2009-08-02T12:55:24.820+01:00</updated><title type='text'>M de Madrugada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;À noite, muito escuro e silencioso, na paragem de autocarro onde me acostumei e desacostumei a apanhar autocarros, um segurança ainda fardado questiona-me&lt;br /&gt;- Que horas são?&lt;br /&gt;e eu surpreendido com a interrupção de um qualquer pensamento lá respondi&lt;br /&gt;- Uma e meia certas.&lt;br /&gt;O segurança sorri&lt;br /&gt;- Dá tempo para ir à praça e voltar no mesmo autocarro&lt;br /&gt;sempre de olhar perdido num sorriso atravessa a estrada e senta-se na paragem onde os autocarros que passam vão para o sentido oposto ao que desejamos. Pensei que fosse brincadeira mas quando o tal autocarro para a praça passou ele entrou. Cerca de quarenta minutos depois o autocarro regressa, agora já na direcção que me interessa.&lt;br /&gt;Na frente, de sorriso largo e a falar sobre qualquer coisa que não percebi com o motorista lá estava o mesmo segurança. Ignorou-me.&lt;br /&gt;São estas personagens que viajam nos autocarros da madrugada. Os solitários agridoce ora sorridentes da viagem ora tristes da chegada. &lt;br /&gt;Há também os casais. Genuínos como não o são os exuberantes casais de jovens das rotas diurnas. Estes casais dos autocarros nocturnos envelheceram juntos como vinho com o carvalho. Apurados a passeios e danças com a mão pousada sobre o ombro ou dada no colo com a calma aparente de um laço de marinheiro. As mãos são tão frágeis como cordas de seda mas o elo inquebrável.&lt;br /&gt;Há a boa gente de trabalho que, por sair aquela hora, só pode ser muito dedicada ao que faz e vai o caminho todo a falar ainda do serviço. Aos grupos de três e quatro lá vão operários de empregos que nem sabemos que existem e que não sabem como deixar o trabalho lá.&lt;br /&gt;Há os tolos que, talvez alguém saiba a resposta do porquê, têm um bom sentido de orientação e nunca se perdem nem quando os gatos ficam pardos. Fazem conversa com todos ou olham desconfiados para ninguém.&lt;br /&gt;A verdade é que há poucos locais mais seguros na noite que um autocarro nocturno e a sua linha. Poucas pessoas me enternecem mais do que os seus passageiros. Cada uma com tantas histórias, um sorriso quente e um olhar desperto a quilómetros do alheamento dos viajantes diurnos.&lt;br /&gt;Os motoristas à noite sorriem e conversam. Param sempre que um passageiro distraído vê o autocarro no que de dia seria tarde demais. Eles sabem do que falo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-6817711129216061465?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/6817711129216061465/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/m-de-madrugada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6817711129216061465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6817711129216061465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/08/m-de-madrugada.html' title='M de Madrugada'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2261806111107057030</id><published>2009-07-26T12:00:00.001+01:00</published><updated>2009-07-27T23:39:46.044+01:00</updated><title type='text'>Batalha Naval</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Da única vez em que estive internado no Hospital havia a Isabel.&lt;br /&gt;Entrou na minha segunda noite por causa de uma doença qualquer que já não sei qual era. Sempre com um sorriso nos lábios mesmo quando dormia. No dia seguinte continuava o sorriso mas desta vez desperto, fugidio com o meu olhar como se os meus olhos fossem pés que faziam barulhos no chão do bosque e ela uma borboleta ou um colibri.&lt;br /&gt;Começamos a falar através de um oceano de faz-de-conta recriado numa folha de linhas com quadriculas desenhadas à mão. Nós ali presos nas camas numa enfermaria com janelas que davam para gabinetes mas a navegar furiosamente e a trocar tiros a querer afundar porta-aviões e submarinos.&lt;br /&gt;E foi essa marinheira que me mostrou que pronto, era aquilo que eu queria para a vida toda.&lt;br /&gt;À noite uma lição de cumplicidade depois da batalha. Sempre que uma enfermeira passava, com os passos pesados de um soldado, ela que agora era o nosso inimigo, calavamo-nos com um sorriso parvo para depois recomeçar a conversa no ponto onde ficou ou num novo lugar. Ela até fechava os olhos para ser credível. Eu não conseguia. Observava-a como na noite anterior, agora com ainda mais fascínio.&lt;br /&gt;E assim se passaram 3 ou 4 dias, já não sei, entre batalhas no mar e nos puzzles com os apitos da máquina de soro dela que me afligia porque via series de médicos e apitos nunca eram bom agoiro. &lt;br /&gt;Passados anos ainda me lembro dela e como fiquei deprimido e choroso na tarde em que lhe deram alta&lt;br /&gt;- Agora que estavas a ficar melhor é que tens dores?&lt;br /&gt;e eu com vergonha não dizia a verdade e deixava-me chorar enquanto a enfermeira me fazia massagens com uma daquelas pomadas frias ao toque. No dia seguinte saí e nunca mais entrei na enfermaria ou estive internado. &lt;br /&gt;Agora, como nestes últimos anos, tenho por ela o mesmo fascínio reservado que se deve ter com os famosos que admiramos. Uma enorme curiosidade de conversar e saber o que faz mas medo que, ao chegar ao encontro, tudo não passe de uma ilusão e que a imagem que temos da pessoa seja falsa ou só tivesse sido verdadeira naquela altura de eterna novidade.&lt;br /&gt;Sendo assim tenho-a cá dentro como batalhadora furiosa e conversadora curiosa de face luminosa de dia e sorriso lunar à noite. A pequena Isabel que apitava de duas em duas horas e que me fez, pela primeira vez, doer de amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2261806111107057030?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2261806111107057030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/07/batalha-naval_26.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2261806111107057030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2261806111107057030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/07/batalha-naval_26.html' title='Batalha Naval'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2072898809433331176</id><published>2009-07-19T12:00:00.000+01:00</published><updated>2009-07-19T12:00:01.281+01:00</updated><title type='text'>O Cofre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Enternece a forma como as pessoas tentam ler peitos. Assim com um estetoscópio como o fazem os médicos mas com a curiosidade e perícia de um assaltante de cofres à espera do click ou lá qual é o som que os cofres fazem no seu interior para que possam dar uma olhada cá dentro.&lt;br /&gt;É por isso que tantas vezes nos lançamos nos braços de outra pessoa como um deprimido crónico o faz ao psicólogo. É a salvação que vem aí e nós queremos que tudo seja simples e processado. Fácil de ler e resolver. A questão é que o nosso peito usa sempre a blindagem mais forte com fechaduras de combinação e chaves impossíveis de copiar. Quem está de fora, ainda a tentar abrir o nosso cofre, dificilmente acredita que não sabemos onde guardamos a chave. A combinação foi mudada para um código que nunca esqueceríamos mas esquecemos. &lt;br /&gt;Aí entra a análise da retina. Muita gente pode saber a combinação; a chave pode ter sido roubada ou perdida mas os olhos, se forem os olhos certos, abrem o peito sem resistência.&lt;br /&gt;E não abre. A portinha que chega para o coração se expor não abre e aquela pessoa que se pensava ser a salvação não é nada. É mais uma curiosa a olhar para uma porta que, incapaz de lidar com o que encontraria lá dentro, não merece que ela se abra.&lt;br /&gt;Esta semana voltou a mim um forte sentimento de orgulho e felicidade, fruto de umas tantas memórias que por estarem lá muito para trás (tenho de contar anos com dedos das mãos para perceber quanto) até já se vão esquecendo. Memórias de um tempo em que a porta não abriu nem a martelo e durante o qual o conteúdo foi crescendo em brilho em vez de mirrar com a falta de ar.&lt;br /&gt;E noutro dia noutro sítio, com outros olhos a tentarem sem pressa, a porta lá se abriu sem resistência. Lá dentro um coração fresco acabado de colher e espaço suficiente para outro morar confortável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2072898809433331176?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2072898809433331176/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/07/o-cofre_19.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2072898809433331176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2072898809433331176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/07/o-cofre_19.html' title='O Cofre'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2425107608975188957</id><published>2009-07-12T12:00:00.001+01:00</published><updated>2009-07-16T23:21:18.744+01:00</updated><title type='text'>A Sílvia, a Diana e a Cláudia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;São três mulheres da minha vida e, embora tenha conhecido duas Dianas, uma Sílvia e uma Cláudia, as do título nem sei quem são.&lt;br /&gt;A Sílvia morava perto do centro de saúde mais próximo de minha casa e era familiar de um tipo que tinha um armazém lá perto. A Diana passa todos os dias perto de uma rua de acesso ao centro comercial Parque Nascente. A Cláudia apanhava algumas vezes camionetas e sabia o que Je t'aime quer dizer. Estas três senhoras morreram recentemente.&lt;br /&gt;Não sei se já morreram efectivamente mas, para mim, morreram porque já não estão no pedaço de parede ou chão que as imortalizava. A inscrição "Cláudia Je T'aime" foi pintada por cima quando se fizeram as obras na garagem onde chegam as camionetas vindas de e idas para Lisboa. A inscrição "Diana Adoro-te!" foi obliterada pela passagem dos camiões das obras que rasgarão a linha de metro para Gondomar. &lt;br /&gt;A Sílvia, a mais antiga destas mulheres, vivia numa parede verde em letras amarelas colocadas mesmo por cima da entrada da garagem dos tais armazéns. Encontrou o seu fim depois da venda do edifício a alguém que julga que uma fachada canelada de alumínio é mais bonita que um nome de mulher.&lt;br /&gt;Imagino se quem as matou tentou descobrir quem elas eram para lhes pedir desculpa pela profanação da homenagem e do nome ou se fez como um cirurgião que errou num corte de bisturi e passou o pelouro das desculpas para uma enfermeira imigrante de quem nem sequer sabe o nome.&lt;br /&gt;Que lhe dê o nome de Sílvia, Diana ou Cláudia mesmo que ela discuta que no país dela não existem esses nomes e ao menos que durma por lhes ter dado uma cara.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2425107608975188957?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2425107608975188957/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/07/silvia-diana-e-claudia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2425107608975188957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2425107608975188957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/07/silvia-diana-e-claudia.html' title='A Sílvia, a Diana e a Cláudia'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-1884172241356434542</id><published>2009-07-05T12:00:00.005+01:00</published><updated>2009-07-06T14:16:13.137+01:00</updated><title type='text'>1/2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta semana, no dia 2 de Julho, passou-se uma data que passa (passando o pleonasmo de tantos passares e passados) ao lado da maioria das pessoas. Este é o centésimo octagésimo terceiro dia do ano. É o meio do ano.&lt;br /&gt;Há para trás cento e oitenta e dois dias e restam outros cento e oitenta e dois para diante. São estas datas que nos obrigam a parar e reflectir sobre o que se passou e quantas das resoluções de ano novo já nos encarregamos de resolver.&lt;br /&gt;A nossa vida, &lt;del&gt;felizmente&lt;/del&gt; &lt;del&gt;infelizmente&lt;/del&gt; &lt;del&gt;felizmente&lt;/del&gt; infelizmente não tem backups como os que fazemos antes de formatar o disco do computador. Fazemos borrada e a nossa vida vai para sítio incerto e não há técnico de informática que nos devolva o que perdemos. Este meu meio ano foi para parte incerta (que é onde está sempre na realidade) no plano afectivo e vai caminhando para a incerteza no plano profissional. Em ambos não sinto a necessidade de backups embora um fiozinho de ligação à terra, a haver, daria uma segurança que conforta.&lt;br /&gt;Grande parte deste meio ano foi passada num leve sofrimento, que não explicarei porque nunca se sofre sozinho, sempre interceptado por momentos de felicidade e sorrisos cumplices que se sobrepunham sempre aos tempos sombrios. Na vida, como nos computadores, um reiniciar ainda resolve muitos problemas e não, não é preciso ser à bruta. Tendo paciência a nossa janela reinicia sem que uma brisa deixe de entrar e a anterior brisa, de aroma diferente, esvoaça para outra janela sem partir os nossos vidros.&lt;br /&gt;Agora vive-se a sorrir, a passear, a comer pêlos de gata e a ressonar (nada que não se resolva com uma cotovelada, mais uma vez, como com os computadores) sem peso nos ombros mas imensa curiosidade assustada de ver se a tempestade deve ser agarrada ou não.&lt;br /&gt;Profissionalmente continuo nesta carreira de cantor de rua figurado. Canto com talento e esforço mas para já nenhum olheiro das editoras se aproximou e como sou orgulhoso, arrogante e sei o que valho o chapéu das esmolas fica na cabeça mesmo que os transeuntes fiquem tontos à procura de onde meter a moedinha como se eu fosse uma máquina de café.&lt;br /&gt;O meu meio ano passou rápido mas deixou marcas lentas, como estrias que ficam depois de uma dieta milagreira. E as estrias, como as rugas, sempre me pareceram mais sinais de coragem e viagem do que imperfeições a combater.&lt;br /&gt;E hoje, até já falta menos de metade para o final do ano.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-1884172241356434542?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/1884172241356434542/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/07/12.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1884172241356434542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1884172241356434542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/07/12.html' title='1/2'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-4174520778760067976</id><published>2009-06-28T12:00:00.002+01:00</published><updated>2009-06-28T17:53:44.695+01:00</updated><title type='text'>Pocahontas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Muito antes de eu saber o que era uma mulher bonita já a mulher mais bonita da praia era aquela. Tinha um olhar tristonho encaixado na cara oval. O cabelo negro descia pelas costas e perdia-se até ao final da coluna acabando mesmo ali, no início da anca que ia sempre tapada com uma saia comprida preta. E tal como no cinema, as mulheres belas de olhos chorosos e cabelos torrenciais têm um passado que não deixa o futuro em paz.&lt;br /&gt;Esta mulher, que pouco tempo depois encontraria na personagem da Disney, Pocahontas caso esta tivesse a pele de uma camponesa nortenha, arrastava sempre à sua frente um homem mais velho. Uma efígie sentada em eterna contemplação como um pensador de Rodin a olhar em frente. A cara esculpida muito mal cicatrizada às mãos do tempo. Esta estátua era o pai da Pocahontas nortenha.&lt;br /&gt;Dizia a lenda local, porque mulheres daquelas precisam de explicação e mesmo que não a haja inventa-se, que naquela família corria uma doença que aos trinta anos tolhia os movimentos e sensações. Era quase como uma maldição bíblica de um Midas que transformava a sua prole em granito. A mãe da Pocahontas tinha partido há muito sem lhe deixar nada a não ser os olhos largos e a anca doce que enchia a saia preta de brilhos de veludo.&lt;br /&gt;Não sei o que a animava. Especialmente quando dava o iogurte às colheres de chá ao pensador havia nela uma graça e ânimo que parecia estar sempre grávida.  Parecia que para ela havia esperança a cada colher de chá de iogurte natural como se estivesse a alimentar um filho. Ela, como a mãe do pai. Imaginem a Pocahontas a viver na Ilha de Páscoa e a alimentar uma das austeras estátuas a desejar, porque os olhos grandes têm mais líquido lacrimal e transparecem como lagos, poder tê-la no colo.&lt;br /&gt;Assim era a mulher mais bonita da praia para a qual eu ia.&lt;br /&gt;Há cerca de ano e meio morreu o melhor amigo do meu pai e eu fui ao funeral com o intuito egoísta de observar como o filho do falecido, um ano mais velho que eu, lidava com a perda do pai. Na minha família também há genes raquíticos e há que estar preparado para todas as eventualidades.&lt;br /&gt;Teria a Pocahontas uma bola de cristal na figura granítica do pai? Estaria ela a ver no que se ia tornar?&lt;br /&gt;Teria ela tomado a decisão de não continuar a transmissão do gene granítico acabando assim com a maldição da família?&lt;br /&gt;Ela deixou de ir à praia e ao longo dos anos fui conhecendo mulheres que me mostraram o que eram ancas perigosas, olhos límpidos e cabelos como estradas. E nunca vi essas coisas que as mães deixam às filhas de herança numa jovem a arrastar uma cadeira de rodas com uma cariátide alimentada a iogurte natural numa colher de chá sentada em contemplação, silenciosamente, como uma estátua onde deixar uma rosa todos os dias parece fazer a diferença.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-4174520778760067976?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/4174520778760067976/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/06/pocahontas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4174520778760067976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/4174520778760067976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/06/pocahontas.html' title='Pocahontas'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2256182171312596380</id><published>2009-06-21T12:00:00.001+01:00</published><updated>2009-06-23T18:30:23.500+01:00</updated><title type='text'>Blues</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há 3 semanas foi publicado no site Post Secret o segredo de uma pessoa que dizia que sabotava todas as suas relações para ser um melhor músico. Esse site é muito propenso a que nos sintamos identificados com algumas das coisas, algumas delas assombrosas, que por lá se confessam mas nunca nenhuma me tocou tanto como esta. Não no sentido da sabotagem que, pelo menos de forma propositada, não exerço mas sim na medida em que me sinto mais altivo e criativamente fértil quando me sinto miserável.&lt;br /&gt;Uma quantidade enorme de grandes artistas sofreu de doenças crónicas e/ou degenerativas. Pensem na Frida Kahlo e na sua coluna despedaçada ou no Van Gogh e a sua eterna desilusão. Mais ainda pensem em todos aqueles pintores que para atingir a finura ideal do traço afiavam os seus pincéis nos lábios num beijo envenenado de chumbo. Eles iam definhando com queda de cabelo, psicoses, falhas renais e cardíacas, impotência e, em casos extremos, morte. De cada vez que pintavam uma pestana de musa ou um bigode de banqueiro entregavam mais um pouco de si à arte, literalmente.&lt;br /&gt;Nós, como observadores, somos cúmplices involuntários de um suicídio e como nos divertimos à custa desse sofrimento só me ocorre a palavra sadismo para descrever a forma suja mas inocente como beneficiamos do sofrimento dos artistas.&lt;br /&gt;Uma professora de História da Arte disse-nos uma vez que a representação pictórica da melancolia tinha praticamente desaparecido. Na minha opinião isso aconteceu porque o artista queria pintar melancolia e só lhe perguntavam&lt;br /&gt;-Porque é que o senhor da pintura está triste?&lt;br /&gt;e ter de explicar que ele não estava triste mas sim melancólico seria como um comediante explicar a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;punchline&lt;/span&gt; da sua piada.&lt;br /&gt;Será desta falta de pintura que surgiu Antero de Quental?&lt;br /&gt;Eu entendo bem o/a artista que enviou o segredo porque também eu, de forma incrivelmente cíclica, sou um dependente da melancolia. Uma vez disse a uma namorada que depois se tornou numa pouco saudosa ex que por vezes sentia saudades de me sentir melancólico e solitário. Ela, coitada, que nunca entendeu a diferença entre melancolia e tristeza, achou estranho e disse que isso era estúpido. Anos depois descobri a Ana Moura que dizia numa música demasiado recuada do seu CD "Já não temos fome mãe / nem temos também / saudades de a não ter".&lt;br /&gt;Parece-me ser este o caso da melancolia. Do sofrimento nos olhos e ombros nasce nobreza.&lt;br /&gt;E a escrita melhora exponencialmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2256182171312596380?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2256182171312596380/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/06/blues.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2256182171312596380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2256182171312596380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/06/blues.html' title='Blues'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5339802754406838221</id><published>2009-06-14T12:00:00.003+01:00</published><updated>2009-06-14T14:57:22.253+01:00</updated><title type='text'>-te</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Conseguimo-nos lembrar de umas 30 palavras sufixadas com -te.&lt;br /&gt;Aposto, mesmo assim, que sei em qual vocês estão a pensar...&lt;br /&gt;Há palavras que se vulgarizam, seja por moda ou simples uso excessivo, palavras que um dia foram inventadas por alguém que deve ter pensado ter finalmente conseguido classificar um sentimento ou emoção e que afinal inventou uma palavra para todos usarmos como roupa interior.&lt;br /&gt;Outras palavras há que temos de proteger e usar com cautela. Usar só em casos especiais e quando nada mais existe. Um pouco como chorar só quando a tristeza não é suportável pelo corpo e lá cai a lágrima.&lt;br /&gt;Assim é com o "amo-te" que se diz por aí. Devia só ser dito quando o batimento do coração chega aquele ponto de quase rotura em que o amo-te seria como o buraco no crânio que alivia a pressão num cérebro inchado. O amo-te era o buraco nas costelas que salvava mas ao mesmo tempo desprotegia o coração. O amo-te devia atingir-nos sempre como um cubo de gelo quente e suave. Devia ser sempre forte e doce e tocante e inesperado.&lt;br /&gt;Devia ser mais vezes dito na escuridão do quarto com a tal pessoa abençoada pelo amor declarado dentro dos braços a apertar o abraço quando ouvia as palavras que só para ela se abrem. Devia ser dito de surpresa a meio de uma balada dançada sem passos combinados ou então a meio de um jantar sem televisão nem luzes nem sumos baratos.&lt;br /&gt;Podem dizê-lo no carro e no trabalho. Podem dizê-lo sentados na retrete ou de mão dada na base da Torre Eiffel.&lt;br /&gt;Se precisam de coragem para o dizer, se tremem quando o dizem, se ficam em suspenso à espera do "eu também te amo" que esperam receber de volta a morder as unhas por dentro estão a fazer as coisas como se deve e estão a dizê-lo à pessoa certa.&lt;br /&gt;Usem esta palavra só quando ela tiver impacto e por favor digam-na por completo e nunca um "uhmmm-te muito" como já ouvi.&lt;br /&gt;O amo-te tem de ser uma dor boa, um misto de alegria matinal, orgasmo vespertino e reminiscente de duches nocturnos. Tem de ter impacto ou então passa a ser uma palavra inerte cheia de conveniências e necessidades de dicionário.&lt;br /&gt;Passa a ser uma vírgula.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5339802754406838221?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5339802754406838221/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/06/te.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5339802754406838221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5339802754406838221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/06/te.html' title='-te'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-7010319101452293407</id><published>2009-06-07T12:00:00.001+01:00</published><updated>2009-06-07T12:00:01.451+01:00</updated><title type='text'>Somos o que fomos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É nessas noites importantes que a conversa surge pintalgada de frio, café e cigarros.&lt;br /&gt;A senhora velha, não tão velha assim mas de aspecto velho com a maquilhagem vermelha mal pincelada e a pele demasiado alaranjada para ser colorido solar fala sempre no que foi e onde esteve.&lt;br /&gt;Nessas noites em que não consegue parar o cigarro e prestar atenção aos distintos clientes só o fato impecável e as palavras ausentes de mácula mostram que é, também ela, uma senhora distinta. Deve ter sido em tempos uma mulher atrevida e dona do seu nariz. Com um impertinência e mimo demais que os senhores mais velhos com quem se dava sentiam prazer em alimentar. Esteve em França e na América, trabalhou num sitio onde tinha de tratar os patrões por Messieur e Madame e estudou arte em Itália.&lt;br /&gt;Agora?&lt;br /&gt;Agora é só mais uma senhora velha confiante que o fato e o bâton vermelho exagerado evitem que seja tratada por dona. Uma daquelas senhoras dependentes da bondade de estranhos que emprestem a atenção durante o tempo suficiente a resumir a sua história.&lt;br /&gt;Fala da juventude e do primeiro casamento como se a vida tivesse ficado lá atrás com a impertinência e a leveza de um corpo de textura leitosa. Como se a vida tivesse acabado no divórcio e na primeira ruga.&lt;br /&gt;Eu fico do meu lado a pensar em toda a tristeza silenciosa camuflada de memórias felizes que nos rodeiam e, como a tal pessoa que em terra de cegos tinha olhos, tenho vergonha de ser feliz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-7010319101452293407?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/7010319101452293407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/06/somos-o-que-fomos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7010319101452293407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/7010319101452293407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/06/somos-o-que-fomos.html' title='Somos o que fomos'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-5834500282966716615</id><published>2009-05-31T12:00:00.003+01:00</published><updated>2009-05-31T12:00:00.153+01:00</updated><title type='text'>Obturado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Diz-se da relação entre animais e donos que passado algum tempo se copiam. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O olhar confunde-se e alguns trejeitos de ambos são contagiosos. Eu já vi senhoras a inclinarem um pouco a cabeça para o lado quando pedem alguma coisa ou quando não perceberam algo. O olhar dos pedintes, o cair dos ombros em submissão, é decalcado de um cão que tiveram em pequenos e que era louco por restos de fiambre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Assim é com as pessoas e pessoas. Pessoas com relacionamentos com pessoas. Amigos, Pais, Amantes tanto faz. Copiamos os jeitos e os ditos das outras pessoas sem saber que o fazemos. Habitualmente copiamos as pessoas a quem reconhecemos maior autoridade ou de quem gostamos mais.&lt;br /&gt;Outras vezes é um assombro. Como matar uma pessoa e ver o olhar dela a picar-nos todas as noites antes de adormecer. Foi um assombro ver-te nas minhas fotos, no olhar ensaiado que eu fiz para outra fotógrafa que não tu. Pose de simpatia, pose de turista flash click.&lt;br /&gt;E quando discuto as pessoas dizem-me&lt;br /&gt;-Não ponhas esse olhar que não é com isso que te perdoamos&lt;br /&gt;como quando eu te dizia&lt;br /&gt;-Não me olhes assim porque não te perdoo&lt;br /&gt;Nas fotografias da praia, da viagem à neve, de casa, a brincar com o cão o teu olhar de carinho e o teu riso de menina largo de luar flash click.&lt;br /&gt;Não cheguei a ver-te chateada comigo por isso nem sei como agir. Faço uma cara neutra enquanto perco a razão e chamo nomes a quem me enerva. Esqueci como se franzem sobrancelhas e nem a perdigotos ao litro ganho respeito.&lt;br /&gt;Podia também viver sem o teu sorriso a olhar para o céu quando o dia está solarengo ou sem a forma como pegavas no guarda-chuva em dias cinzentos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cheguei-te a dizer que tens o sorriso mais bonito que já vi?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Usaria eu o adjectivo bonito se tu não dissesses tantas vezes que isto ou aquilo era bonito?&lt;br /&gt;Era capaz de me entender melhor se não usasse o teu sotaque ou se pudesse apontar com o dedo no mesmo ângulo que apontava antes de tu chegares, vires e partires.&lt;br /&gt;Agora uma foto à frente de uma paisagem algumas vezes nossa e eu sozinho, ar contente, sorriso misterioso e olhar entrecortado por pestanas.&lt;br /&gt;A tua leveza envergonhada de mãos juntas à cintura como que a rezar para o chão.&lt;br /&gt;Flash, click.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-5834500282966716615?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/5834500282966716615/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/obturado_31.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5834500282966716615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/5834500282966716615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/obturado_31.html' title='Obturado'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-2529205648277514374</id><published>2009-05-24T12:00:00.003+01:00</published><updated>2009-05-24T12:25:55.491+01:00</updated><title type='text'>Onde os velhos não têm nome</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_tOVApotZaLQ/ShhsKisdVpI/AAAAAAAACxw/Ww7gwXIyxEg/s1600-h/Img0252.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_tOVApotZaLQ/ShhsKisdVpI/AAAAAAAACxw/Ww7gwXIyxEg/s320/Img0252.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339136286615492242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;-Bom dia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Esperançado que me atira nunca é alegre nem triste. É assim como que uma frase inacabada ou um poema que não rima nem é particularmente bonito. É uma saudação que se esquece rapidamente como uma declaração de amor apontada a giz numa parede no dia anterior à maior chuvada do ano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O olhar azul enevoado sugere-me um mar de algas brancas. A palavra “cataratas” atira-me para a referência aquática e não encontro melhor metáfora do que as algas que parecem estar a flutuar por cima da retina sem nunca largar a pálpebra como uma película de pele que se agarra a uma rocha e segue e volta sem coragem de se soltar à maré das ondas baixas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;-Estou cansado disto sabe. Quando me dói alguma coisa penso que é desta. Mas nunca é. O médico fica todo sorrisos quando me diz que tenho um coração que faz inveja a muitos jovens. Quem dera que ele parasse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;As costas vergadas dos passos tão lentos apoiados em duas canadianas e os quase noventa anos às sete da manhã. Ninguém devia ter de andar na rua às sete da manhã. Havia de haver um recolher obrigatório e o lixo apanhava-se às nove. Os padeiros abriam às nove e só havia pão às dez. O jornal de primeira edição só manchava os dedos do cliente lá para as onze. E este velho de olhar cinza na cor e na esperança seria proibido de sair para o frio àquela hora. Se adiar o jornal e o pão adio a saída dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;-Durmo cinco horas por dia. Sempre trabalhei cedo, dava-me o sono tarde. Imagine o que é ter 19 horas para trabalhar. Imagine o que é ter uma casa sem vozes durante 19 horas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;E de facto era uma voz enlameada que surgia como se estivesse atrofiada pelo silêncio e pela solidão e de cada vez que tivesse de falar uma crosta rompesse nas cordas vocais e só mostrasse que afinal o dano não era permanente ao fim de algumas frases manchadas de expectoração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;-A minha mulher morreu cedo. Eu não queria morrer primeiro mas ela também não precisava morrer com 53 anos. Veja lá, enterrei a minha mãe depois da minha mulher.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;O que se diz a um cadáver adiado de ombros caídos, um meio apoiado nas canadianas, outro na paciência dos estranhos que ficam, como eu sempre fico, mais silenciosos do que a casa dele?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;-A minha mulher nunca engravidou. Vivemos sempre em casa dos meus patrões. Não deixo nada nem tenho ninguém a quem deixar nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Apeteceu-me dizer que ele fará falta quando já cá não estiver. Pelo menos eu saberei quando ele deixar de passar à minha porta. Sei também que já falei dele a muita gente que se compadece dos seus ombros caídos e dos passos arrastados de canadianas mesmo sem nunca ter visto o tempo que ele demora a percorrer a rua que o leva, invariavelmente, ao jornal e ao pão fresco às 7 da manhã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Teria-lhe dito que eu sentirei a falta dele quando o seu coração deixar de alegrar o médico porque quando ia para a escola, há mais de dez anos, quando ainda não me deixavam andar de autocarro, ia pelas escadas a torcer para o encontrarmos, eu e o meu pai, à nossa porta, já de regresso à tal casa vazia a dar os bons dias nos dez segundos apressados que lhe podíamos dispensar. Podia-lhe ter dito que ele me dava força para ir para a escola de manhã porque me sentia envergonhado de ser mais fraco que um senhor de idade indeterminada que demorava dez minutos a fazer a minha rua houvesse chuva houvesse sol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Eu teria dito essas coisas todas, juro, se ao menos me conseguisse lembrar do nome dele. Vou ter de perguntar a alguém. E enquanto não lhe der um nome ele é esquecível porque também os meus olhos, voz e movimentos haverão de ser toldados pelo tempo e só os nomes ficam. Era uma hipocrisia dizer-lhe que tenho memória dele se não o puder arquivar sobre um nome.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Na despedida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;-Vá lá jovem. Se não encontrar emprego vá trabalhar com o seu pai que aquilo é arte que tem sempre cliente. A juventude de hoje em dia é alérgica a trabalhar com as mãos e tem medo de acordar cedo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Devia ser proibido sair de casa antes das nove.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Devia ser proibido viver numa casa vazia de mulheres.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-2529205648277514374?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/2529205648277514374/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/onde-os-velhos-nao-tem-nome.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2529205648277514374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/2529205648277514374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/onde-os-velhos-nao-tem-nome.html' title='Onde os velhos não têm nome'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tOVApotZaLQ/ShhsKisdVpI/AAAAAAAACxw/Ww7gwXIyxEg/s72-c/Img0252.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-9220539941918950640</id><published>2009-05-17T12:00:00.009+01:00</published><updated>2009-05-22T16:25:50.044+01:00</updated><title type='text'>Rosa cheiraria a Rosa mesmo que o nome fosse outro</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: lucida grande;" align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Chego a Allaire e mando-te uma sms:&lt;br /&gt;“Allaire”&lt;br /&gt;Nem espero pela resposta porque sei que ela não vai chegar mas seja como for gosto que saibas por onde ando. Já te mandei sms em Vitré, Bubry e Morbihan.&lt;br /&gt;Há uns meses fui à Austria e tive de te ligar. Achei que ias gostar de saber que tinha passado por uma terra chamada Pyhra. Pareceu-me ser nome que gostarias. Não atendeste… Atendeu o teu marido que me disse, após uma dúzia de mentiras bem colocadas sobre a minha identidade, que tu estavas na maternidade. Dois dias antes tinha nascido o vosso filho.&lt;br /&gt;João.&lt;br /&gt;Assim um nome vulgar e humano. Tinham de me explicar isto…&lt;br /&gt;-João quê?&lt;br /&gt;-João Filipe.&lt;br /&gt;-João Filipe quê?&lt;br /&gt;-João Filipe Sousa Matos. Porque pergunta?&lt;br /&gt;-Nem um nome de local?&lt;br /&gt;-Desculpe?&lt;br /&gt;-Local… Não lhe chamaram João Porto ou João Aveiro ou João São Petersburgo?&lt;br /&gt;-Não. Que coisa estranha. Porque pergunta isso?&lt;br /&gt;Desligo e fico a ferver em como vendemos os sonhos com tanta facilidade desde que tenhamos um novo par de braços que os concretiza.&lt;br /&gt;Debaixo da cama, na gaveta do meio do aparador e nos bolsos de casacos que deixaste no guarda-vestidos os sinais do teu doce fanatismo e das viagens que fizemos na busca do tal nome. E relembro todas as vezes que fizemos amor nos comboios de Espanha, França, Itália, Eslováquia, Eslovénia ou Inglaterra e registávamos nas costas dos bilhetes o nome da estação seguinte.&lt;br /&gt;Lembras-te quando enganamos as regras porque a nossa menina não se podia chamar Nancy?&lt;br /&gt;E quando achavas que estavas com enjoos matinais porque, pelas tuas contas, tinhas engravidado naquele voo Porto – Funchal? Decerto te lembras de me perguntar&lt;br /&gt;-Sobrevoamos as Berlengas ou é só água?&lt;br /&gt;-Não te preocupes. Chamamos-lhe Atlântica e está decidido.&lt;br /&gt;E nunca foi… Nunca estavas grávida. Nem de uma Lublina ou de uma La Rochelle. Uma Geltru ou uma Cádiz.&lt;br /&gt;Abrandamos na euforia, o tempo passava e nem de Braga, Leça, Coimbra, Leiria ou Lisboa engravidaste. Foi no Porto que descobrimos (no Porto nunca fazíamos amor porque havias de ter uma menina e ela não podia ter um nome masculino) que nem em Fátima ou Lourdes poderias engravidar.&lt;br /&gt;Eu não te poderia dar essa alegria por mais que escalássemos a Serra da Estrela ou a Senhora da Graça.&lt;br /&gt;Demoraste só uma semana a mudar de mim. Não me surpreendeu  a forma como de repente me tornei descartável. Na torradeira, porque tu sabias que o que mais falta me haveria de fazer eram as tuas torradas, um bilhete escrito à mão sem sinais de mancha de lágrimas, batom ou uma pequena borrifadela de perfume&lt;br /&gt;“Sabes qual é o meu maior sonho. Desculpa, tenho de o seguir.”&lt;br /&gt;Compreendi. Talvez encontrasses um motorista ou piloto de aviões que te levasse àqueles sítios onde tu dizias querer adoptar o nome para que a tua filha (sim... dizias sempre tua; nunca nossa) tivesse sempre um pedaço de terra que fosse dela. Sempre que se perdesse pensava no sitio que lhe deu nome e lá chegaria como um pássaro migratório que tem ninho sempre na mesma chaminé.&lt;br /&gt;Um dia ligaste a perguntar onde eu estava e disseste-me&lt;br /&gt;-O meu sonho de ser mãe sobrepôs-se à teimosia de dar um nome geográfico. Era uma parvoíce. Nós corrermos tantos sítios foi uma parvoíce. Sou tão feliz aqui que percebi a tolice que andei a fazer.&lt;br /&gt;-Aqui é onde?&lt;br /&gt;-Ovar.&lt;br /&gt;-Caramba, não admira que lhe tenhas chamado João Filipe.&lt;br /&gt;-Sentiste falta das minhas torradas?&lt;br /&gt;-Claro que senti. Deixaste os casacos e as luvas. As torradas eram a terceira coisa que eu mais gostava em ti.&lt;br /&gt;No sitio onde estou há um vale. Os vales formam-se onde outrora houve um rio que entretanto se foi. Quer-me parecer que o espaço entre costelas aumentou quando tu te evaporaste. Quando o nosso amor deixou de fluir.&lt;br /&gt;Deixaste cá um vale com o teu nome.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-9220539941918950640?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/9220539941918950640/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/rosa-cheiraria-rosa-mesmo-que-o-nome.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/9220539941918950640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/9220539941918950640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/rosa-cheiraria-rosa-mesmo-que-o-nome.html' title='Rosa cheiraria a Rosa mesmo que o nome fosse outro'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-1498315405201568817</id><published>2009-05-10T12:00:00.004+01:00</published><updated>2009-05-22T16:22:21.223+01:00</updated><title type='text'>Amanhã à mesma hora</title><content type='html'>&lt;div  align="justify" style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;À janela está o caminho para casa.&lt;br /&gt;As janelas dos autocarros já não abrem. Não conseguimos espetar a cabeça fora da janela tipo gárgulas de Notre Dame e sentir o vento a pentear. (Engraçado como o vento só penteia as crianças… Envelhecemos e o cabelo torna-se antónimo. Despenteia-se e nós enervamo-nos.)&lt;br /&gt;O ar não se renova dentro dos autocarros e, se lá dentro sentimos frescura, tudo foi provocado pelo ar condicionado que dá aquele ar de água parada num copo… É um ar com uma fina película de pó por cima.&lt;br /&gt;Não sabe ao mesmo que da fonte. Não sabe ao mesmo que da janela.&lt;br /&gt;Passar 20 anos numa casa não aborrece porque podemos pintá-la ou enfeitá-la de quadros e vasos luminosos mas não me deixam pintar a casa amarela do fundo da rua, não me deixam cultivar rosas no jardim da rotunda e muito menos me deixarão pendurar passpartouts das minhas viagens nas paredes do autocarro. O caminho que já conta 20 anos angustia na sua inércia como um familiar em coma que não conta histórias repetidas.&lt;br /&gt;Aí vi-te! Como não reparei em ti? Como entrei e não me capturaste logo?&lt;br /&gt;Levantas-te para sair e ainda usas o mesmo perfume. Levantas-te e estás mais alta. Usas outra roupa. Ganhaste algum peso que só te fica bem. Ao telemóvel uma gargalhada de que não me lembrava. A memória é uma folha escrita a lápis.&lt;br /&gt;Faltavam-me 12 paragens (acredita em mim, conheço o trajecto) e saí atrás de ti… Ao vento o cabelo que finalmente deixaste crescer.&lt;br /&gt;Quem te convenceu?&lt;br /&gt;Eu que tantas vezes te disse que ficava melhor a sibilar pelas costas e tu que tantas vezes disseste que gostavas de ver o teu pescoço de perfil. Quem te fez esquecer o pescoço?&lt;br /&gt;Sigo atrás de ti. É claro que te vou agarrar como dantes. Ainda te lembras como te tapava os olhos como se tivesse sido eu e não o cinema a inventar o tapar dos olhos a sussurrar ao ouvido?&lt;br /&gt;E lembras o que dizia todas as vezes que o fazia?&lt;br /&gt;Tu que eras tão atenta mas nunca me vias chegar dizias&lt;br /&gt;-Não usas perfume… Não te sinto chegar.&lt;br /&gt;E eu compensava com o toque que dizias ser frio como uma concha porque estava gelado ao primeiro contacto mas logo aquecia.&lt;br /&gt;-E é bom aquecer-te meu búzio.&lt;br /&gt;Estou mais próximo. O teu cabelo como bandeiras numa cimeira internacional. O teu cheiro a levitar como quando saías do banho sem toalha e ias à cozinha procurar a esfregona. Nunca vi ninguém tão preocupado com a saúde da tijoleira.&lt;br /&gt;Passavas de volta e dizias&lt;br /&gt;-Não te ponhas com ideias.&lt;br /&gt;e eu ficava com as ideias e o aroma. Ficava eu e a casa docemente infectados por ti.&lt;br /&gt;É quando estou à distância do meu antebraço que afinal não és tu. O vento sopra e o cabelo toca-me na cara e é mais leve que o teu. De raspão vejo um pescoço que não tem as tuas veias. De olhos a cair noto que ao ombro faltam alguns ossos que só tu tens.&lt;br /&gt;Ela, seja quem for, olha para trás a acusar-me de uma coisa que não sabe o que é. Jovem, nem precisa ser advogada para saber que não é crime ter saudades nem é crime manter memórias das pessoas. Muito menor crime será ser ridículo. Portanto não me acuse de nada, sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço homens que vestiram novas mulheres como as anteriores. Deram-lhes a mesma música a beber, mudaram-lhes a marca do tabaco, ofereceram sapatos com o salto à medida dos olhos da outra. Fazem amor com elas às escuras e enganam a memória da textura com a lembrança de outra pele.&lt;br /&gt;Mas nada transforma mais uma mulher noutra do que oferecer o mesmo perfume que um outro pescoço à mostra espalhou pela casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-1498315405201568817?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/1498315405201568817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/amanha-mesma-hora.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1498315405201568817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/1498315405201568817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/amanha-mesma-hora.html' title='Amanhã à mesma hora'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2576676313571790406.post-6319972015506222049</id><published>2009-05-10T00:03:00.004+01:00</published><updated>2009-05-10T01:44:47.757+01:00</updated><title type='text'>O início</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Certa vez li que quem lê blogues acaba por fazer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz então sentido que quem lê crónicas sinta a necessidade de as escrever!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o faço uma vez por semana no blogue &lt;a href="http://alugo-me.blogspot.com/"&gt;Alugo-me para rir&lt;/a&gt; - para o qual fui carinhosamente convidado e acolhido - e apanhei o bichinho da obrigação de escrever um texto em dia certo. Dia esse que às vezes acaba por ser incerto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blogue tenta ser então um espaço onde publico crónicas todos os Domingos ao meio-dia.  Umas serão verídicas e pessoais... Outras serão totalmente ficcionadas. Sempre que houver imagem de minha autoria que possa relacionar com o texto lá estará uma a ilustrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão passando cá aos domingos para as novidades e deixem comentários!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome do blogue justifica-se pela tradução literal da intraduzível expressão francesa L'esprit de l'escalier. &lt;br /&gt;E o que é isto? &lt;br /&gt;Imaginem que estão numa festa... Uma pessoa diz-vos qualquer coisa que vos ofende. Vocês, pressionados pela necessidade de dar a resposta ideal no mais curto espaço de tempo, dizem uma coisa qualquer sem graça e saem porta fora. Chegam às escadas e BAAAM... Lembram-se da resposta ideal, aquela que deixaria toda a gente de boca aberta com a vossa perspicácia mas aí, quando já vão nas escadas e já toda a gente se riu da vossa patética saída, é tarde demais para voltar atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é o Esprit de l'escalier...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam bem vindos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2576676313571790406-6319972015506222049?l=espiritodasescadas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/feeds/6319972015506222049/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/abrande.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6319972015506222049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2576676313571790406/posts/default/6319972015506222049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://espiritodasescadas.blogspot.com/2009/05/abrande.html' title='O início'/><author><name>NM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00409594761500987793</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://img236.imageshack.us/img236/8692/image21166292092sn2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
